Tudo Por Ela
"O destino é um filho da puta."
Valentino Alcântara já não acreditava em muita coisa, mas ainda acreditava em dever. Em honra. Em sacrifício. Como ex-militar condecorado e agora chefe de segurança da Casa Branca, ele era a muralha viva entre o presidente Luthor Neville e o caos. Um homem de silêncios calculados e olhos que nunca tremiam.
Até ela.
Até Paolla Neville.
Dois anos atrás, em uma noite sufocante de verão, quando o bourbon e a lua cheia conspiraram contra ele, a filha do presidente arrancou sua alma do lugar seguro onde ele a escondia. Com os lábios úmidos encostados em seu ouvido, ela não perguntou - ordenou:
"Quer ver a cor da minha calcinha?"
E antes que seu corpo congelado reagisse, ela completou, com a voz mais doce e cruel que ele já ouvira:
"Eu fico molhada só de olhar pra você."
Valentino odeia ela por aquilo. Odeia que, desde então, seu sangue ferve com o simples tilintar dos passos dela no corredor. Odeia que, mesmo rezando para esquecer, ele já tenha se masturbado no chuveiro imaginando o cheiro do pescoço dela. Odeia que, quando ela sorri para outro homem, suas mãos treinadas para matar tremam de ciúme.
Ele acha que foi só um jogo para ela.
Está errado.
Paolla Neville não brinca quando deseja algo. E ela deseja Valentino como se ele fosse o último gole de água no deserto. Ela coleciona cada olhar roubado, cada músculo tensionado dele quando ela se curva de propósito na sua frente. Ela sabe que está arriscando tudo: a carreira dele, a presidência do pai, o país.
O problema?
Valentino é um soldado. E soldados não traem.
Mas Paolla não é uma guerra que ele possa vencer.
Ela é o fogo que vai consumir ele vivo.
E o pior?
Ele já está em chamas.
"Alguns amores não são feitos para durar. São feitos para arder até não sobrar nada"