O AMOR
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WpMetadataReadConcluida jue, oct 27, 2016
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Ficción
Romance
O AMOR NO COLO A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda. Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo. Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida. Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços. Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo. Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.
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Século XIX. Em um Brasil alternativo: Carta encontrada no Campo dos Mortos. Goiás, 1879 A quem um dia encontrar estas palavras, saiba que não escrevo por esperança de ser salva. Escrevo porque a memória precisa resistir, mesmo quando os corpos já não podem mais. Ninguém sabe ao certo como começou. Talvez tenha sido a própria terra cansada de tanto sangue derramado. Primeiro vem a febre. Depois, os delírios. A pele esfria, os olhos se apagam... e então, dias depois, o corpo já não responde como humano. Anda. Procura. Caça. Mas não sente, não pensa, NÃO AMA. Eles... são como um cadáver que não aceita descansar. Uma fome que não se explica, que não se sacia. Uma mordida sela o destino e o corpo adoece. A alma... talvez fuja, talvez fique presa no vazio. Enquanto o império se escondeu por trás de seus muros dourados, fingindo que o problema não existia, nós aqui, no cerrado ficamos abandonados. Minhas irmãs e eu... Aprendemos que a vida de uma mulher nunca foi fácil. A diferença é que hoje não lutamos apenas contra aqueles que querem nos calar, mas contra aqueles que já não vivem... e ainda assim não nos deixam viver. Foi então que ele chegou. Um príncipe. Negro. Que carrega nas veias tanto o sangue dos opressores quanto o peso das contradições de sua coroa. Abandonou os muros em busca de redenção. Veio buscar guerreiros... e encontrou algo que não esperava. Ao lado dele, caminhava outro homem. Frio. Calado. Um comandante que enxerga mapas, estratégias e números... mas não enxerga as próprias emoções. Nossos caminhos se cruzaram e com o príncipe, nasceu algo inesperado. Um amor que é, antes de tudo, parceria, admiração e luta. Com o comandante... nasceu uma guerra particular. Duas forças que se chocam. Que se testam. Que se provocam. Até que se percebem... talvez... destinados. Se esta carta chegou até você... Saiba: Nem tudo que anda... está vivo. Nem tudo que vive... merece. Amarílis.

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