Caminho de Sangue

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Jan 7, 2016
O ano é de 2043. O mundo não é o mesmo, isso se nota quando você olha para o horizonte e vê que nada restou, tudo se perdeu há quatorze anos. Eu sempre pensei em como acabaria. Se seria em uma explosão, assim como foi para que iniciasse. Se seria uma onda que inundaria todo o planeta. Ou até mesmo se a água iria acabar, diante de tanta ganancia humana. Mas eu nunca, em momento algum, pensei que o mundo ficaria o caos que hoje é transformado. Houve um colapso em experimentos para a cura de doenças raras e um vírus, Atroz, se expandiu pelo ar. Então, ninguém era mais o mesmo. Foi letal em algumas partes do mundo, populações foram dizimadas e restaram poucas pessoas, muitas delas abrigadas em um refúgio ao norte do que restou dos Estados Unidos. Deve haver dezenas de pessoas ainda espalhadas por aí, com medo de sair e se transformar em algo que elas não iriam querer ser. O vírus não está mais no ar, foi contido. O problema foi o que ficou. Você pode chamar de zumbis, mutantes... Monstros. E eu nunca pensei que precisaria matar para sobreviver. Eu tinha três lemas comigo: Não confiar, não se envolver e nunca olhar para trás. E agora, em minhas mãos, havia um problema, com o nome de Samantha. Era uma adolescente tagarela, intragável e talvez viesse a ser a nossa única salvação, o fim para aqueles dias negros. Uma última esperança. Eu estava atravessando o país, em direção ao norte, onde ficava o refúgio e a Sede de Controle de Pandemia (SCP), lá eu encontraria O Fulgor, um grupo do que restou dos melhores médicos do mundo, e até onde eu tinha informações, estavam tentando há dez anos achar uma cura para o Atroz. Eles poderiam ajudar e entender Samantha. O problema não estava necessariamente em ir, mas sim em chegar. O caminho para ir até O Fulgor era algo totalmente incerto. Os monstros estavam lá fora, com sede de sangue e carne humana. Eu não esperava que a estrada fosse ser tão traiçoeira e eu fosse me perder em
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Aqui uma vez já foi um país que eu amava e queria bem. Mas isso já faz tanto tempo... Foi há 15 anos que esta gente que eu considerava meu povo, raça tão alegre, festeira e acolhedora, gente de tantas memórias e tantos amores, tornaram-se fanáticos ensandecidos, famílias antes tão unidas se perderam, e por idolatria fomos todos entregues à insanidade. Este país, que um dia foi minha casa, hoje jaz abandonado às aves de rapina, predado a todo momento por bandidos, milícias, velhas raposas da política, oportunistas da pior espécie, e como se não bastasse, toda a terra está infestada de figuras retorcidas que há muito deixaram de ser criaturas de Deus. Nós, os que restamos e tentamos ainda levar uma vida normal neste mundo caído, precisamos ser unidos e cuidar um do outro, enquanto nutrimos ainda aquelas vagas esperanças de um futuro melhor. Pois nós somos brasileiros, e mesmo depois do fim do mundo, nós não desistiremos jamais do nosso sonho de sermos felizes nesta terra que nos viu nascer. Estamos em Janeiro de 2037. Hoje trabalhamos, reconstruímos e amamos. Porque amanhã vai ser outro dia.

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