Felicidade ou satisfação?

Felicidade ou satisfação?

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WpMetadataNoticeLast published Fri, Oct 23, 2015
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Non-Fiction
Durante muito tempo acreditei que deveríamos buscar a felicidade e não nos contentarmos apenas em sermos satisfeitos. Defendi essa idéia em muitas discussões, levando até mesmo algumas pessoas a pensarem como eu. No entanto, hoje questiono essa minha teoria de vida. A busca incessante pela felicidade não nos permite estarmos satisfeitos com o que temos hoje, agora, com o que é possível ter e viver no presente. Na verdade, nunca sabemos ao certo se estamos felizes ou não, porque nunca está tudo bem em todos os sentidos da nossa vida. Chego a desacreditar da dimensão do significado da palavra felicidade. Penso que é apenas estar satisfeito, por mais pequeno que isso possa parecer. É difícil reconhecer a felicidade em nossa vida. Sempre comparamos o que temos ou podemos com aquilo que não vivemos ainda ou deixamos de viver. A incerteza de que podia ser melhor nos deixa apenas satisfeitos. E por pouco tempo. Assim a busca será contínua, impedindo que desanimemos ou que fiquemos acomodados. Ao mesmo tempo seremos constantemente frustrados com a incapacidade de alcançar a felicidade. Criar uma teoria de vida que exige tanto raciocínio, tanto questionar, acaba por impedir que sejamos felizes. E até mesmo satisfeitos. Deixamos de observar aquilo que nos faz bem (será isso felicidade?) para analisar aquilo que buscamos e ainda não alcançamos (ou será isso a felicidade?). O constante ir e vir das pessoas e dos momentos em nossas vidas traz a sensação de ganhar e perder a todo o momento. Junto, a frustração constante, alternada com risos que são seguidos do medo de perder aquilo que, invariavelmente, vai acabar. É, tudo acaba. Um dia, tudo passa. E a felicidade, onde fica?
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Sempre me intriguei com uma pergunta: por que queremos tanto algo e quando finalmente conseguimos, parece que aquilo perde o brilho? É como se o desejo fosse uma chama viva e intensa, que nos impulsiona, mas que se apaga no exato instante em que sentimos a posse. Já reparou nisso? É um ciclo silencioso, quase cruel. A gente anseia, idealiza, sonha, corre atrás... e no fim muitas vezes sobra só um gosto morno na boca. Aquele objeto tão desejado vira mais um na estante. A pessoa que parecia inacessível vira rotina. A meta que nos fazia vibrar se torna apenas mais uma linha riscada. É um paradoxo que me acompanha há tempos assim como cada um de vocês caros leitores - o desejo como motor da vida e ao mesmo tempo como fonte de frustração. Não desejo no sentido puramente sexual ou material, mas desejo como força existencial. Queremos muitas coisas o tempo todo: O sucesso, reconhecimento, queremos amor, e também novidade. Nós queremos ter, mas não fomos ensinados a permanecer e sustentar o valor daquilo que temos - A manter vivo o encanto. A verdade é que estamos presos em uma busca constante, uma espécie de fome que não se sacia nunca. Quando conseguimos o que queremos, surge um novo desejo logo em seguida. Às vezes nem damos tempo para aproveitar o que conquistamos e já estamos pensando no próximo passo, na próxima experiência, no próximo objeto. E isso cansa e nos esvazia. Parece que estamos sempre no quase: quase felizes, quase completos, quase satisfeitos. É uma insatisfação crônica, disfarçada de ambição ou de "gostar de desafios". Mas no fundo, é só o medo de parar e encarar o que realmente nos falta. Foi por isso que decidi escrever este livro. Não para dar respostas prontas, mas para levantar as perguntas certas. Se você já sentiu o vazio depois da conquista, se já se perguntou por que aquela coisa que parecia essencial agora só ocupa espaço, ou se tem se cansado dessa pressa por sempre ter mais, então este livro é pra

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