"Promessa é dívida" ... Abri os olhos e percebi que estava tremendo.
Esse mês de janeiro de 2015 tem sido um dos mais difíceis, durante anos costumava ter o mesmo pesadelo, os mesmos trovões, a mesma escuridão, a mesma sensação de medo... Geralmente esses pesadelos vêm sempre acompanhados de sintomas como fortes dores de cabeça e corpo trêmulo, que misteriosamente acabavam quando o Sol nasce. Foi assim durante anos.
Bem... ver a própria morte nunca é um bom sinal, apesar de estar-me acostumada.
Os pesadelos sempre eram idênticos, mas dessa vez algo mudou e pude ver mais. Eu estava no meu corpo, estava no comando pela primeira vez em seis anos. Sempre acontecia no mesmo lugar. Escuro. Parecia próximo ao mar, pois sentia um leve cheiro salgado, haviam pedras negras e pontudas, os trovões anunciavam uma grande tempestade. Eu nunca era eu mesma, nunca pude fazer nada em relação a minha morte, mas eu conseguia me visualizar por meio do olhos de uma outra pessoa. Sempre me via correndo... Ou melhor... Fugindo de algo. Sentia que estava interligada com essa outra pessoa ou pelo menos tinha um vínculo muito forte com a mesma.
Na medida em que eu tentava supostamente me aproximar de mim mesma, a distância parecia aumentar. De repente não conseguia ver nada, só um forte clarão branco, uma luz tão forte que se aquilo não fosse um sonho eu acredito que poderia me deixar cega. A luz era como uma bomba nuclear que acabara de explodir, liberando um grande poder destrutivo.
Não era preciso ver o meu corpo caído entre as pedras, eu sabia que estava morta... O mais estranho era que podia sentir a tristeza da pessoa que me observava, como um buraco profundo que não podia ser tampado, uma tristeza sobre-humana. Cheguei até a me perguntar se alí ainda existia alguma alma.
Ela me fitou com aqueles olhos negros e eu estremeci.
Sabia que precisava ter coragem, sabia que poderia morrer, sabia que ela era mais forte.
Olhei ao redor, estava sozinha... Apenas eu e ela, mais ninguém!
Eu estava sangrando, minha perna estava destroçada, e o cheiro de sangue me deixava ainda mais nervosa.
Seria este o meu fim? Teria eu, passado por tudo aquilo, para morrer aqui?
Não! Não podia aceitar.
Naquele momento eu a toquei no rosto, com todas as forças que me restavam... E a vi perder a vida, enquanto meu corpo inteiro estava em chamas, ela se deteriorava e eu bradava de ódio .