Burn
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WpMetadataNoticeLast published Wed, Feb 3, 2016
Sou preciso. Minha faca acerta o alvo com perfeição. Poderia matar uma mosca a quinze metros de distância apenas atirando uma faca se eu precisasse. Sou resistente. Corro cinco quilômetros por dia. Poderia correr dez se quisesse. Sou veloz. Faço cem metros em poucos segundos. Poderia fazer duzentos se isso não fosse fácil demais. Sou forte. Posso levantar o dobro do meu peso. Poderia levantar o triplo se isso me interessasse. Sou hábil. Posso desenhar runas perfeitas. Poderia as fazer de olhos fechados se fosse preciso. Sou inteligente. Leio um livro inteiro toda noite. Poderia citar todos as peças de Shakespeare se não achasse que isso é um desperdício. Sou obediente. Faço minhas tarefas e treino todos os dias. Poderia fazê-las mais rapidamente se isso o fizesse se importar comigo. Não tenho fraquezas. Sou o soldado perfeito. Mas não sou ele. Então não sou amado por aquele que me criou. Sou o filho perfeito. Mas não sou ele. Então fui abandonado por aquela que deveria me amar incondicionalmente. Sou o ser perfeito. Mas não sou ele. Então o mundo me rejeita. E se o mundo me rejeita ele deve queimar.
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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