500 dias com ela

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WpMetadataReadContenido adultoContinúa51m
WpMetadataNoticeÚltima publicación jue, feb 4, 2016
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Ficción
Romance
Maia é como as estações do ano, instável e ardilosa, sempre imprevisível e bastante inconstante. Não que ela escolha ser assim, na verdade, a personalidade é apenas mais um dos milhões de fatos curiosos sobre si, uma menina potencialmente cheia de manias estranhas. Como em uma boa história de livros de romance, possui um passado espinhoso - embora prefira ocultá-lo sempre que lhe é conveniente -, porém diferentemente da heroína boazinha e iludida não o usa como uma desculpa, ou sequer como justificativa para seus erros, ela é o exemplo vivo de que as pessoas não são feitas de traumas eternos e sim de superações. Ao menos assim ela pensa. O fato é que Maia não lida bem com a separação dos pais, muito embora eles tenham se divorciado a certo tempo - aproximadamente cinco anos - e tal coisa se reflete em seu comportamento, tornando-a uma menina fechada, sempre amuada e bastante relutante. Aos seus plenos dezoito anos foi a um total de duas festas propriamente ditas - porque as de aniversário não contam -, coisa rara para uma garota de sua faixa etária. O que Maia realmente gosta de fazer é afogar-se em seus livros buscando nestes uma válvula de escape que a livre de mais um dia de desgosto. Até que as coisas mudam. Cansada do isolamento frígido e indiferente de Maia, sua mãe resolve que o melhor para a filha é respirar novos ares como dizia a avó já tão idosa e complacente. E que lugar melhor do que a casa da avó para mandá-la? Afinal "um fim de mundo" como alega Maia não traz muitas esperanças, mas por outro lado também não as tira. E assim a garota parte rumo a uma nova jornada, é claro, seria mais legal se estivesse indo a algum lugar paradisíaco o qual pudesse ser descrito com muitas estripulias e sorrisos. É apenas Carazinho, um confim onde Judas perdeu as botas, e não, isso não tem graça. É só mais um dia da vida de Maia, ela pensa. É claro, como em todo romance há de haver o mocinho, mas deixemos isso para o fim
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Dizem que o amor não se controla, mas até onde ele pode ir antes de se tornar destruição? Amar dois irmãos é viver em uma prisão invisível, onde cada batida é tortura, cada sorriso roubado é culpa, cada abraço desejado é pecado. E ainda assim, o coração insiste, insinua, chama... mesmo sabendo que a linha entre paixão e destruição se estreita a cada segundo. É possível dividir o amor sem se perder? É possível sentir inteiro quando se ama alguém e ao mesmo tempo deseja outro? E quando esses amores estão ligados por sangue, história e memória, como decidir quem deve ocupar seu mundo, e quem deve ser apenas lembrança de um sentimento impossível? Escolher se torna um ato de crueldade. Cada decisão é um corte profundo, cada silêncio pesa mais que mil palavras. O amor não pergunta se é certo ou errado, ele apenas exige, arrasta e consome. E amar dois irmãos é desafiar todas as regras invisíveis, é desafiar a própria moralidade do coração, é viver sabendo que nenhum caminho será livre de dor. O coração, então, se transforma em campo de batalha. Desejo contra razão, paixão contra culpa, amor contra impossibilidade. Cada beijo negado é morte lenta; cada sorriso compartilhado é condenação silenciosa. Amar assim é aprender que o impossível existe - e que os limites que julgamos firmes podem ser destruídos por uma única faísca de sentimento. E no fim, resta apenas a pergunta que ninguém ousa responder: será que o coração pode mesmo amar duas pessoas ao mesmo tempo, quando a própria vida insiste que isso não deveria existir? Ou será que o amor, na sua essência mais brutal, não conhece regras, nem limites... e apenas queima, sem pedir licença, sem se importar com quem será destruído?

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