Mad Hatter.

Mad Hatter.

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WpMetadataNoticeÚltima atualização qua, jan 6, 2016
Minha realidade sempre foi diferente da das outras pessoas. Elas não me entendiam. Ninguém nunca me entendeu de verdade. Era difícil ser alguem diferente, sempre será. As pessoas nunca estão preparadas para mudanças, por mais que digam que são modernas, elas não aceitam o que é diferente. Porque o estranho, é desconhecido, e o desconhecido não pode ser controlado. Eu não podia. Era livre. Sempre tive esse espírito sonhador. A síndrome da Alice. Eu queria que existisse um país das maravilhas no mundo real, mas aparentemente a vida não é uma fábrica de realização desejos. Eu tinha que viver naquele mundo podre, e vazio. Com gente que só se importava com o próprio umbigo. Eu não queria ser normal. Existia uma certa dádiva em ser diferente. Eu me orgulhava daquilo. Quando eu ainda era uma criança, as outras da minha idade brincavam com bonecas, sonhavam com o príncipe encantado e com dia do casamento. Eu não.
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"Eu sou só mais uma adolescente tentando sobreviver." Estudo de manhã, trabalho meio período numa lanchonete da esquina à tarde e passo o resto do tempo tentando não surtar. Moro com a minha mãe, mas a gente quase nunca se entende. Parece que tudo que eu faço está errado pra ela. E, sinceramente? Eu cansei de tentar agradar. O meu pai? Nem sei por onde anda. Acho que ele nunca fez questão, e eu aprendi a não fazer também. O que me mantém de pé, o que faz meu coração bater com alguma esperança, é um sonho. Um sonho que eu carrego desde pequena: ser modelo. Eu sei que parece clichê. Todo mundo acha que é só posar pra câmera, fazer carão, desfilar com roupas caras. Mas pra mim... é mais que isso. É liberdade. É poder. É sair daqui. É ser vista. Ainda não aconteceu, claro. Mas eu tô tentando. Envio fotos, participo de seletivas, posto no Instagram como se fosse famosa. E às vezes... só às vezes... eu fecho os olhos e me imagino lá, em Paris, Nova York, Milão. Porque sonhar ainda é de graça. Pelo menos por enquanto. O problema é que ninguém conta o que você precisa perder pra chegar lá. E eu perdi mais do que devia.

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