desesperada e a chorar

desesperada e a chorar

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WpMetadataReadComplete Sun, Mar 6, 2016
Eu corro como se a minha vida dependesse disso. Eu luto por respirar porque é como se me faltasse o ar. E continuo, continuo e continuo, sem parar, sem respirar, sem daqui sair. E choro, sem saber, sem perceber o porquê. Fico louca, como pode este coração amar assim, perder-se assim, quebrar-se assim? Como é possível que eu viva e morra ao mesmo tempo? Como é possível que eu ame, apesar de partida em meros bocados? E corro, corro, fujo. Fujo de mim, de ti, de nós. Já não sei quem sou. O mundo agarrou em mim e despedaçou-me, o sol queimou todos os meus bocados, a água lavou a cinza que o sol deixou. O vento ensinou-me a voar, e a terra acolheu-me no seu ragaço. Mas nem mesmo aí existe descanso, o ciclo repete-se, até que a tontura vença e mesmo assim, continua até que pareça. Digo já que fui feita em tantos bocados, que mais nada sou que areia. Mas o que me custa mais é o que poderia ser, o que custa mais é que nada é meu e nada posso ter, perco tudo, e tudo vou perder. E de areia passo
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Existem alturas na vida em que a coisa fica feia. Descobres que aquele que achavas ser o fundo do poço, afinal não é, porque a porra do fundo do poço fica sempre um bocadinho mais abaixo. Mas sabes que mais? Também tu tens mais força do que aquela que achavas que tinhas. Tens mesmo. Por isso se diz que o frio é sempre do tamanho do cobertor. Aquilo que eu descobri com a viagem interior que comecei (e continuo) é que podemos (e devemos) aproveitar os "fundos do poço da vida" para nos impulsionarmos de volta à superfície. Descobri que somos sempre mais capazes do que o que julgamos ser e que as certezas que (achamos que) temos não têm nada de certo e é precisamente aí, nessa capacidade de procurar mais perguntas do que respostas, que a vida se faz. Descobri que quem não tem pé não pode dar coice, como diz a minha mãe. Isto trocado por miúdos, quer dizer que cada um de nós só dá de si aquilo que tem lá dentro. Dar mais ou menos depende de cada um, não de nós, por mais que gostássemos de poder mudar isso. Aprendi a aceitar que não é possível (além de ser absolutamente desnecessário e uma tremenda canseira) agradar a toda a gente e que aquilo que acham que sabem sobre ti não é problema teu. Quando a vida pega em ti e te deita ao tapete uma e outra vez, tens que lhe mostrar a tua veia de "sempre em pé". Vais cair, sim senhora, esfolar mãos e joelhos mais vezes do que gostarias, mas começas a levar cada vez menos tempo a levantar-te. Vais saber escolher melhor os combates que valem a tua energia. Chama-se resiliência e é a chave para uma existência feliz.

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