Noite de Ébano

Noite de Ébano

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WpMetadataNoticeLast published Mon, May 30, 2016
No quarto onde eu estava hospedada, mal conseguia ficar quieta na cama onde eu estava deitada. Eu, contando as horas para ouvir o suave e planejado código de repetição de batidas na porta que combinei com o Miro, aquele homem que eu conheci enquanto estava deitada na areia em frente ao mar, tomando banho de sol. O olhar daquele homem me chamava me observada desde quando eu sentei-me gostosamente sobre a minha tanga esparramada sobre a areia da praia. Fiz que não percebi quando ele felinamente me fitava a cada gesto meu, vi quando ele fingiu estar ajeitando o boné quando eu tirei da minha bolsa de passeio de verão meu bronzeador e comecei a passar em torno do meu biquíni minúsculo, sugerindo um corpo delicado que suplica por carinhosos e atrevidos toques... Sim, o provoquei de forma bem discreta, só pra ele perceber, eu queria aquele moreno e como eu queria...
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Havia um adolescente escritor tardio com uma paixão platônica e a mania de fantasiar quando escrevi esta novela, prepare-se para um melindre ridiculamente juvenil. E cerca de quatorze anos depois ali estava eu, diminuindo os passos enquanto me aproximava da insípida casa, cujos portões continuavam vermelhos, embora desbotados, e entrecortados horizontalmente, possibilitando a vista do quintal por essas largas fendas. Que curiosidade me atingiu, como um raio que saiu curvado da casa repentinamente reviçada. Curiosidade em saber se ele ainda morava lá. Em relembrar seu rosto, realmente apagado pelo tempo, só vivia na minha lembrança o fato da beleza e da atração, e agora ele por inteiro deveria portar uma beleza deslumbrante. Apesar de ter ficado ligeiramente animado com esse pensamento sensual, eu já imaginava que ele não era o que eu era, tal como demonstrara na época; eu estava de fato curioso em saber apenas esse fato: aquelas pessoas daquela época ainda moravam ali? Se eu tivesse com quem apostar, apostaria que não.

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