Sempre ao seu lado

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WpMetadataNoticeDernière publication ven., janv. 27, 2017
Vivi mais de mil anos. Morri incontáveis vezes. Esqueço o número exato. Minha memória é uma coisa extraordinária, mas não é perfeita. Sou humano. As primeiras vidas são um tanto indistintas. O arco da alma segue o desenho de cada uma das vidas. Houve minha infância. Houve muitas infâncias. E mesmo na mais antiga parte da minha alma, cheguei à maturidade muitas vezes. Hoje em dia, a cada infância que vivo, a lembrança vem mais depressa. Nos movimentamos. Olhamos com espanto o mundo à nossa volta. Lembramos. Digo "nós" e me refiro a mim, à minha alma, minhas personalidades, minhas muitas vidas. Digo "nós" e também me refiro a outros que, como eu, têm a memória, o registro consciente da experiência sobre esta terra que sobrevive a cada morte. Não há tantos, eu sei. Talvez um em cada século, um nascido entre milhões. É raro que nos encontremos, mas acredite, há outros. Pelo menos um deles tem uma memória bem mais extraordinária do que a minha. Nasci e morri muitas vezes, em muitos lugares. O espaço entre eles é o mesmo. Às vezes, me acho mais parecido com as casas e as árvores do que com outros seres humanos. Fico olhando levas de pessoas irem e virem. Suas vidas são curtas, mas a minha é longa. Às vezes me vejo como um poste cravado à beira do oceano. Nunca envelheci. Não sei a razão. Vi beleza em coisas incontáveis. Eu me apaixonei e ela é quem resiste. Eu a matei uma vez, morri por ela muitas vezes e ainda não tenho nada para exibir. Sempre a procuro. Sempre me lembro dela. Carrego a esperança de que, um dia, ela venha a se lembrar de mim.
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Acredito que a vida deveria ser mais do que apenas sobreviver, que se encontramos uma razão para sorrir, não deveríamos chorar. Acho que existe um propósito. Não acho que fomos enviados por Deus para seguirmos uma rotina. Não se, realmente, existe um Deus lá em cima, mas, de al-guma forma nosso cérebro nos predestina a agir, nos obriga a pensar, a decidir. Construindo uma vida, uma vida repleta de escolhas, às vezes boas, outras vezes ruins. Vivo em um apartamento simples, ao lado do hospital. Não me casei. Não estou em um relaciona-mento ainda. Passo a maior parte do tempo no hospital. Vira e mexe encontro meus amigos da an-tiga escola, que sempre me cumprimentam com a mesma expressão: "quem te viu, quem te vê". Não desminto. Admito que, no momento em que decidi me tornar cirurgiã, de certa forma, parei de viver, deixando festas e bebedeiras para trás e me foquei em sobreviver a faculdade. Em meus raros tempos livres, permito-me viajar no tempo. Lembrando-me de meus 16/17 anos, onde festas e bebedeiras eram presentes. Relembro de quando passei para a faculdade, caralho, aquela noite foi louca, vagas lembranças de doses de tequila e meninos me veem a cabeça. Lembrei-me de quando peguei meu diploma, da primeira cirurgia, fazia tempo. Minha mente foi invadida pelas lembranças da residência, onde perdi meu primeiro paciente. Um menino pequeno, 6 anos, traumatismo craniano, hemorragia subdural devido ao trauma, não podíamos fazer nada para ajuda-lo. Sofri a perda, mas me apaixonei pela profissão, o que fez com que eu me tornasse neurocirurgia pediatra. Meu despertador tocou de uma forma irritante, me despertando de minhas memorias e me levou a pensar, eu estou apenas sobrevivendo ou estou realmente viva?

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