O PRIMEIRO ATO

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WpMetadataNoticeLast published Sat, Sep 17, 2016
Quem diria, leitor. No auge da minha vida, tenho que ceder às vontades de um personagem petulante. As ameaças? Várias. Meus intermináveis dias atormentados com a presença de Eduardo Sampaio. Querendo ter vida, transbordar minha pele e torna-lo real. Juro que desde o início venho ignorando-o. Fingindo não ser nada. Frequentei terapeutas que não me adiantaram, desabafei para amigos que diziam que eu estava louco, mas esse personagem conseguiu dominar minha mente. Suas poesias ecoam no subúrbio dos meus pensamentos, e nada posso fazer para evitar. Ou termino insano, ou cedo à tentação de trazê-lo à realidade. Ademais, vingo-me nomeando-o de 'Poeta Vira-lata'. Bem-vindo à realidade, Eduardo.
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Medo, arrepios, náuseas, ódio ou até mesmo risos. Um bom conto de terror causa sensações e sentimentos diversos no leitor. Uma história trabalhada na medida certa sempre mexe com as pessoas. Para o bem ou para o mal. Quantas vezes, ao lermos uma narrativa, não nos pegamos com os olhos cheios de lágrimas? Ou ao acabarmos uma cena mais pesada, não sentimos um mal-estar estranho, incômodo, que nos deixa com o peito apertado e a respiração ofegante... Quantas vezes não olhamos ressabiados para os lados, trancamos as janelas e acendemos todas as luzes da casa depois de vivenciar a jornada de algum personagem macabro? Muitos se ajoelham e oram, com fervor imenso, pedindo para afastar o mal. Implorando para ele desaparecer. Um mal inexistente, somente literário, o que é mais incrível. Ou talvez não. Demoramos a dormir, assustados com sombras e sons, com o vento assoviando lá fora.  Ah, confesse: mesmo depois de adulto você já sentiu esses medos! E essa é a magia da literatura! É fazer o leitor parte da história, cada um com suas interpretações, reações e experiências. É abrir portas para mundos, universos e essências novos que vão se construindo a cada parágrafo, a cada capítulo. Um conto é como um organismo vivo, que depende da habilidade de quem o escreveu e da percepção de quem o lê. E ele nunca vai ser igual: leia-o mais de uma vez e sempre verá novos ângulos e perspectivas. E, no caso específico desse livro, a grande missão é fazer o leitor se deliciar e temer as Noites Sombrias. Eduardo Kasse - autor da Série Tempos de Sangue.

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