Na madrugada de 1824 uma mansão ardia em chamas, o fogo era brilhante e hipnotizador, tão hipnotizador que as pessoas que ali estavam, não conseguiam reagir a tamanha atrocidade, todos sabiam quem havia começado aquele incêndio, a família Woss teria ido longe demais colocando fogo na mansão dos Devills matando assim, os moradores e os seus empregados que não tinham nada haver com a rixa entre os dois homens irracionais das ambas famílias.
Era agoniante escutar os gritos de dor e desespero que emanavam da mansão, aquilo era desumano. O dono do ato tão monstruoso, sorria doentio.
Minhas pernas amolecidas pareciam que iriam se inclinar e me deixar cair a qualquer momento, tudo era em câmera lenta, meu coração se partia a cada batimento acelerado.
- Eu falhei com ela, falhei com a minha amada, é tudo culpa minha. - Sussurra o pobre homem que havia sido acusado injustamente de matar sua bela e jovem esposa. O soluço o impede de respirar, fazendo-o sentir o nó na garganta que ali se intensificará com mais facilidade. Toda a sua esperança de achar sua amada, havia se perdido na quinta semana do seu desaparecimento, tudo aquilo não fazia sentido para ele e todos o culpava por isso, ninguém acreditava na sua inocência, nem ele próprio o faria. E com tudo, ele nem lutou para sair do fogo, fumaça e escombros. Com os joelhos ao chão devido a sua instabilidade respiratória, ele se direcionou a escrivaninha que estava do lado de sua cama, havia uma fotografia de Amelina, sua eterna e amada paixão, seus pulmões ardiam devido a fumaça toxica da chama, ele mal conseguia respirar, e então ali ele a fez uma promessa, de que nunca desistiria até encontra-la e que iria se vingar dos Woss, mas a morte estava em sua casa naquela noite e, o levou, deixando assim, sua promessa ao ar, ou não.
As pessoas não entendiam, mas o mal que esse ato injusto causou no futuro da jovem descendente Aurora Woss, será irreversível.
Aurora nunca soube o que era liberdade. Abandonada quando bebê, cresceu num orfanato onde apanhava mais do que comia, onde palavras de afeto não existiam. Aos dezessete anos, quando pensava que logo poderia fugir, foi vendida como mercadoria.
Trancada, espancada e deixada à beira da morte, ela perdeu algo que nunca teve chance de escolher: a esperança de ter filhos, de ter uma vida normal, de ser... inteira.
Mas o destino ainda não tinha terminado com ela.
Sevian é um homem moldado pela dor. Com o passado cravado em cicatrizes e a alma afundada em sombras, ele se esconde do mundo em uma mansão isolada.
Rico, recluso e amargo, ele havia jurado nunca mais cuidar de ninguém. Até que encontra Aurora no chão, ensanguentada, silenciosa, com os olhos de quem já desistiu.
Ele a leva para dentro.
Ela não fala.
Ele não pergunta.
Mas o silêncio deles começa a conversar.
Nasce entre os dois uma ligação frágil, dolorosa, lenta - como quem aprende a respirar de novo. Ele oferece abrigo. Ela oferece um reflexo que ele não queria encarar.
E quando os traumas começarem a se desfazer, virá algo mais forte que o medo: o desejo.
Mas o passado não fica quieto por muito tempo. E o amor, quando nasce entre ruínas, pode ser tão perigoso quanto salvador.