Sutilmente

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# 947 EM CONTO Uma vez, um belo garoto de olhos cor de avelã me disse que os maiores tesouros que temos não são percebidos até os perdermos. E ele tinha razão. Perde-lo nunca esteve nos meus planos... Porém te-lo também nunca foi uma opção. "É errado dizer que a única imagem que se passava em minha mente, naquele momento, eram seu grande par de avelãs?" "Dou um passo para trás. Algo muito errado estava acontecendo, e aquilo me assustava." "-diga alguma coisa! - ele grita." "o problema nunca foi a Alex... Sempre foi você" "Aquele era o meu momento, o momento que definiria tudo daqui para frente, e eu o estraguei." "Me ceguei com os faróis do carro à minha frente." "A vida é dividida em momentos... Momentos de impacto onde um mísero segundo pode mudar tudo." "Naquele momento, senti como se o chão estivesse rachando abaixo de mim e me deixando para cair em um abismo eterno." "Aquele era o meu futuro, um futuro incerto e distante." "Mas independente de tudo... Eu nunca o esquecerei" *Nota da autora: este livro é baseado na música Sutilmente do Skank, onde cada um dos cinco capítulos será um verso da música. (Não estão em ordem)*
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Depois de quase vinte anos longe, Agatha se vê novamente no caminho de casa que deixou para trás. Partiu como uma jovem cheia de sonhos e agora retorna à beira dos quarenta, carregando frustrações e angústias que jamais imaginou. A morte de Javier Vidal, que sempre foi um pai, a obriga a voltar para a cidadezinha em que crescera, mas o verdadeiro tormento não tem anda a ver com essa perda e sim com os fantasmas do passado, especialmente Rio. Agatha e Rio eram inseparáveis. Cresceram juntas, dividiram tudo e foram o primeiro amor uma da outra, como em um conto de fadas, aquelas histórias em que, ainda na infância, as almas gêmeas se entrelaçam. Mas enquanto Rio amava a vida na fazenda, os cavalos e o aconchego da cidade pequena, Agatha queria o mundo; sonhava com tribunais, livrarias imensas e cidades desconhecidas a serem exploradas. No fim, ela foi embora e Rio ficou. Agora, ao retornar à sua cidade natal, Agatha se vê forçada a encarar não apenas as consequências do que escolheu para si, mas principalmente, daquilo que abriu mão. Rio também mudou. O tempo e a dor a fizeram crescer, ela ficou, mas não é a mesma pessoa. Apesar de compartilharem a cicatriz de um amor que um dia acreditaram ser tudo, nenhuma das duas é mais a mesma pessoa. Elas não se conhecem mais. O que dói mais? O passado que deixamos para trás acreditando num futuro incerto cheio de sonhos e expectativas? O tão esperado presente que se revelou angustiante, sem ter nada do esperado? Ou o peso de olhar nos olhos de alguém e perceber que todo o seu futuro, toda a sua vida, poderia ter sido diferente? A pior parte é que a resposta para todos esses questionamentos se desdobra em outro: como fazer com que tudo seja diferente agora?

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