Resolvi escrever esta história para me libertar. Exatamente, me libertar. Não para mostra como minha vida é interessante, ou que ela é linda e comovente para está escrita em um livro. Não. Fiz para que a palavra siga o rumo que Graciliano Ramos deu a ela, a de dizer. Então digo a você, caro leitor, a minha vida. Sem enfeites e sem moldura, mas com realidade. Palavra esta (ralidade) que é sempre vista como algo que não contem emoções, frívolo e pacato. A realidade é cheia de surpresas. Surpresas estas que vem por acaso. Acaso este, que chamamos vida.
Poderia me apresentar, dizer quem sou, como funciono, minhas regras, manias e loucuras. Mas uma apresentação não se faz assim em um minuto. Veja só, muitos teatros espanhóis levam até dias para terminar uma peça, e acho que compreendi por quê. Talvez seja porque, assim como eu, eles acham que se entende uma peça teatral quando você vai conhecendo aos poucos seus personagens e seu enredo. Ora, não se entende uma pessoa a primeira fala. Nem sequer se entende na última. Somos todos mistério. Imagine quantos segredos tenho. Quantos segredos você, culto leitor, tem. Imagine um mundo com sete bilhões de pessoas que tem segredos guardados as sete chaves no fundo de sete baús profundos. Nunca vou entender um amigo que tive, se escondia atrás de tantas máscaras que na hora de ele mostrar quem realmente era se perdia no meio delas. Então façamos o seguinte, eu conto minha história, você, finíssimo leitor, a ler e ao final tira suas próprias conclusões.
É sempre assim. A vida te ensina que você nunca saberá o bastante para poder vivê-la. Não importa o quanto você queira, você nunca terá tantas respostas como deseja. Ou o tanto de controle sobre suas escolhas quanto gostaria; e, mesmo odiando surpresas, você sempre as terá como um presente inimaginável. A vida faz questão que você tenha isso para, sabe, viver!
Às vezes, um café que é derramado em sua blusa por acidente, enquanto você sai apressada do Starbucks, pode ser o início de um grande romance. Ou então, o seu ídolo pode ser se apaixonar por você enquanto você estava usando apenas o seu fiel all star converse. Às vezes, quem sabe, com apenas um coque feito apressadamente, a vida te traz como surpresa a chegada de um amor interessante. Até mesmo, o maloqueiro se apaixona pela princesa. Ou então, o amor da sua vida acaba te salvando de si mesmo.
Amor: um presente que a vida nos permite ter, em raras ocasiões. Mesmo sem nós nem mesmo querermos, em alguns casos. O tipo de surpresa que é dolorosa até se tornar o que precisávamos. Vida, a maior maestra que já conheci.
Como uma compensação distorcida por arquitetar sua existência, a Vida te permite a honra de ter seus próprios segredos.
Segredos são como um palácio construído inteiramente de cartas, entende? Tem uma beleza inquestionável na fragilidade. Tem uma beleza no fato de que não importa o quanto você tente planejar a base do palácio, e o quanto você a queira sólida e firme, se puxarmos uma cartinha no meio de uma pilha, tudo o que você lutou pra construir estará desmoronado.
Porque segredos são o que a Vida mais gosta: uma conotação simplória de tragédia.
Imagine, então, quando a Vida decide brincar com tudo aquilo que você fez questão de guardar para si... sem querer admitir, você entenderá que o futuro está em seu passado -aquele que você não queria ter.
E não há nada que mude a vadia que você sempre foi.