A vida não espera

A vida não espera

  • WpView
    Reads 7
  • WpVote
    Votes 0
  • WpPart
    Parts 1
WpMetadataReadOngoing
WpMetadataNoticeLast published Wed, Nov 16, 2016
O sol teimava em bater na janela com rispidez, avisando um novo amanhecer. Com ele surgia a necessidade de saltar da cama e trilhar , agora, o mesmo caminho de todas as manhãs. Acordava contando os dias, talvez fosse uma forma de se convencer que o melhor estava por vir, que estava mais perto a cada acordar. Sentia-se velha, ainda que desfrutasse de poucas primaveras. Sentia-se fora do casulo, sem proteção alguma, como se a qualquer momento a morte fosse lhe soprar um fúnebre ruído. Queria ser livre, como borboleta, que passeia entre os jardins a exibir sua singela beleza. Pontualmente, as oito da manhã, saia de casa e andava até o portão, lá ficava a espera daquela senhora misteriosa. Aquela, que contava histórias curiosas sobre tudo que já havia visto em todos esses anos conduzindo, em sua carroça, as pessoas de uma cidade a outra. A menina ficava eufórica ao avista-la chegando e rezava para que o tempo fosse gentil e não passasse depressa, pois necessitava ouvir o encerramento daquele enredo. Caso contrário, esperaria por dias, talvez meses. Não havia uma constância, as vezes quem aparecia na vermelha estrada de cascalho era o José do Rancho fundo. Nem sempre era a senhora cujo o nome nunca havia lhe perguntado. Em um dos tantos dias de pura ansiedade a Senhora chegou, mas dessa vez não trazia consigo uma nova história. Chegou anunciando que aquele seria seu último dia por aquelas redondezas. A menina, de súbito, começou a chorar desesperadamente. Quem agora lhe contaria aquelas histórias que mais pareciam irreais? De onde tiraria o fôlego para pular da cama? Então a Senhora lhe disse: "Querida, é preciso coragem para ser protagonista de histórias como essas que lhe contei. Não espere chegar na minha idade para perceber a vida que lhe esperava. És broto e ainda há de florescer, não desperdice isso" A menina ficou parada vendo-a seguir quando lembrou-se de perguntar seu nome, mas era tarde demais, a Senhora estava distante e já nã
All Rights Reserved
Join the largest storytelling communityGet personalized story recommendations, save your favourites to your library, and comment and vote to grow your community.
Illustration

You may also like

  • Além da Imortalidade
  • A Regra de Ouro | Juliantina
  • O Vizinho
  • Albrecht
  • PROCURANDO
  • A sombra de Safira
  • wake up for me
  • O Destino da Dança
  • Pelo Amor de Uma Princesa

Diz-se, entre os que ainda se lembram dos dias antigos, que há uma mulher que caminha entre os povos da Terra-média, invisível aos olhos da maioria, mas temida pelos que conhecem os segredos do mundo. Seu nome é Malvina Elizabeth de Ávilan, e há milênios ela carrega sobre os ombros o fardo de uma maldição que não escolheu, imposta pela Rainha das Bruxas, Belial, cuja sombra se perdeu nos confins do tempo. Sua figura é envolta em trajes negros, tão silenciosa quanto a noite profunda, e seus cabelos, escuros como as raízes das montanhas, caem lisos até os cotovelos, ocultando-lhe parte do rosto pálido e impenetrável. Os olhos, grandes e negros, guardam o peso de eras incontáveis, e nela repousa a memória de impérios que há muito jazem sob as ruínas cobertas de musgo. Quando o reinado dos Homens se fortaleceu e os Portadores do Anel celebraram a paz em Minas Tirith, foi então que Malvina, cansada do peso da eternidade, buscou conselho com aquele que, entre os sábios, poucos igualavam: Mithrandir. E assim lhe foi dito que não partisse ainda para as Terras Imortais, pois o mundo, frágil como é, ainda precisava da lâmina e do olhar da última caçadora de bruxas. Guiada então por um desígnio incerto, ela cruzou as florestas até os domínios do rei élfico, Thranduil, senhor das cavernas de pedra e das copas eternas, cujo coração, diziam, era tão frio quanto os invernos do Norte. Mas quem poderá prever os desígnios do tempo e dos corações imortais? Assim se inicia uma história que talvez nem os próprios elfos se atrevam a contar, feita de silêncios, de sombras e, quem sabe, de algo que Malvina e Thranduil jamais conheceram - ou nunca ousariam permitir: amor.

More details
WpActionLinkContent Guidelines