O drama de João da casa de vidro

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Nov 17, 2016
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Poetry
Recorto um pedaço de papel e nele tento escrever meus suspiros. Definho. Temas redundantes. Fitas enroladas. Resmungos empoeirados. Ergo a cabeça, como que pro céu. Peço ajuda ao maior de todos. E ainda me sinto entalada. Abusada. Envergonhada. Com raiva. Demais. Meu coração bate lento e ofego. Ofego. Ofego. Quero arrancar as linhas que me amarram ao fundo do poço. E costurar. Costurar uma nova perspectiva. Que diabos! Nada disso é real. A vida segue, as pessoas seguem. As pessoas continuam em suas redomas de vidros quebrados. De bosta. De merda. De inferno. Num repente eu as odeio. E depois repenso melhorar. Porque vingar-se é justo! Mas não é para bons...
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Você não queria estar aqui lendo esse monte de merdas; e, talvez, eu também não queria ter escrito essas coisas. Porque se existisse algo que fizesse-nos sentir úteis, a mísera possibilidade de possuir essa coisa, de bom grado, estaríamos doando até a nossa alma, ou o que restou dela. Não estaríamos perdendo tempo lendo essas coisas. Por favor, caro leitor, não demonizem os meus pensamentos, nem as minhas lembranças. O diabo é coisa séria, e eu não ousaria brincar com alguém que sente prazer em ter a companhia de outras pessoas; mas também é preciso ter o mínimo de decência, e vocês hão de concordar comigo, não é preciso trazer a tona a sua moralidade religiosa, subjugar palavras de um tolo que não tem nada para lhes oferecer. Eu tenho uma cabeça doente, a minha alma foi forjada pelo fogo da tristeza e da solidão. Isto não é um manifesto contra toda a distopia criada pela minha memória. São, apenas, palavras. Palavras soltas tentando remontar a minha memória; essa, sempre desconexa, que coexiste pelas lembranças de um passado desordenado, um presente difuso e um futuro, indecentemente, incerto. Hoje, eu já não sei mais o que eu sou, mas, um dia, eu já fui o Esteban.

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