A Porta Azul

A Porta Azul

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Jan 26, 2017
Em um mundo onde fomos resumidos a trabalho, padronização e controle, o que acontece quando de repente, você acorda e não quer mais estar no mesmo lugar, todos os dias? A fagulha da inquietação atingiu Lu 0145, que decidiu, um dia, que preferia se chamar Luíza - e a sensação só piorou quando percebeu que odiava o trabalho e nem ao menos se lembrava por que estava casada com aquele cara, RW 1675. Todos os dias, todas as mulheres do Condado 76 acordavam às seis e meia da manhã, levantavam pelo lado direito da cama e usavam pantufas rosas, colocavam seus robes numerados e iam para a janela. Este era só o começo de uma rotina cronometrada para que ninguém saísse da linha, hora nenhuma, então todas as pessoas sabiam: precisavam documentar cada movimento que davam através das fotos rotineiras no aplicativo Instante, uma espécie de evolução do Instagram. Mas Lu, ou Luiza, não queria mais fazer isso...e não sabia por onde começar para, sozinha, driblar o sistema opressor em que o mundo estava inserido em 2076. Esta é uma distopia onde nossos nomes se tornaram quase placas de carros, e temos todos as mesmas roupas, os mesmos trabalhos, as mesmas reações diárias e absolutamente tudo é controlado via redes sociais. Parece familiar, mas as coisas sempre podem piorar em cinquenta anos.
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"A sociedade não está pronta para aceitar toda forma de liberdade" Em um mundo dividido em duas classes, as mulheres são seres superiores e os homens inferiores. Cada um habita uma sociedade, que funciona de maneiras distintas, eles trabalhando e sobrevivendo como podem e elas usufruindo de toda a produção e lucro gerado por eles. Afinal, o sexo feminino tem capacidades mentais mais elevadas e a lei da evolução as tornou mais adaptadas para as necessidades do mundo. É isso que as torna superiores e permite que usufruam de toda a liberdade, fazendo o que desejam, sem compromissos e buscando a felicidade acima de tudo, sem rótulos e sem preconceitos. Mas até onde essa liberdade é real? Luzia se sente entediada com tanto tempo livre. Já fez tudo que podia e precisa de mais emoções e mais experiências. É querendo saciar esse desejo que se arrisca a desvendar a sociedade dos seres inferiores conhecidos como homens, e descobre que eles não são seres tão horripilantes e diferentes como ouviu dizer e que ela mesmo não é tão livre quanto pensava. Descobrindo mais sobre si mesma, se identificando como assexual e conhecendo os outros gêneros e a pluralidade de pessoas que existem, ela decide lutar por um mundo igualitário e livre de verdade. Onde cada um pode ser quem quiser e ser feliz como quiser.

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