Desencantados

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WpMetadataNoticeLast published Thu, Aug 11, 2022
"Em uma ilha distante de quaisquer outra, a terra é dividida em duas parte: encantados, os bonzinhos, e vilões, em que sua definição é feita pelo próprio nome. Uma barreira divide as duas classes, mas por um segundo de descuido: um vilão passa por essa barreira, e acaba por ter relações com uma camponesa. Tragicamente, a encantada morre no parto do bebê. No entanto, o rei tem medo da criança, a primeira mestiça, e a expulsam junto com o pai. 17 anos depois, uma princesa é seduzida por outro vilão.Felizmente ou não, o caso é abafado. E como nada acontece a princesa ou a mestiça que ela carregava, a primeira mestiça, crescida em um morro frio e isolado, com raiva, conjura um feitiço que desencanta a princesa e muitos do reino encantado. Se tornam desencantados. Nem vilões, destinados ao mal, nem encantados, destinados ao bem. Desencantados, destinados a escreverem a sua própria história. Tempos depois, encantados, após anos de provocações, finalmente declaram guerra. Anos após o fim dessa penosa guerra entre encantados e vilões, conflitos ainda tomam parte do reino de Alexan Drian. Uma princesa que foge para não assumir o trono, um grupo de pessoas que querem criar um outro reino, animais transgênicos que só sabem atacar. A guerra só está começando."
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Os contos românticos, com os quais nos deparamos em leituras desprentensiosas na nossa meninice, antes mesmo de nos graduarmos nas lições sobre relacionamentos, têm tipicamente dois personagens centrais, a vilania incrementando os impasses, um enredo fantástico e um destino que se encerra previamente satisfatório. Vale lembrar que, se possível, há uma boa fada que eleva o patamar de ser uma história encantada, trazendo ao pensamento infantil a beleza do final feliz, antes de se aconchegar em seu travesseiro, fechar os olhos e levar um beijo na têmpora de quem leu o livro colorido. Fora da literalmente protegida por capa, a vida limita -infelizmente- parte da fantasia, substituindo a fada por uma quimera, com suas heterogeneidades e incongruências. Não tão diferente do conto encantado, algumas situações incluem os vilões e, circunstancialmente, podendo ser os próprios protagonistas. Se podemos ser nossos próprios vilões e amargamos diante das nossas amarescentes escolhas, seremos também os culpados de não unirmos o felizes com o para sempre?

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