SatAlmeida
"O que existe para além de toda esta ilusão?"
Edição: P. Narada e Luiz Filipe
Introdução: Luiz Filipe
Capa: Xilogravura por Ernst Ludwig Kirchner
Não é sempre que convites como esse chegam a nós, abrindo janelas para um íntimo que disseca uma mente em detalhes. Se tratando de mente humana, já podemos prever que coisas belas não serão vistas com muita frequência, talvez discorde disso aqueles que nunca contemplaram um copo de whiskey numa madrugada perdida na rua; Se os olhos são a janela da alma, o álcool é o espelho. Pode se chamar de tara humana a necessidade de expressar suas experiências pessoais, suas dores e seus gozos e chamar isso de arte, para fugir da alcunha de louco. Eu prefiro a loucura, mas tem gente que acha que ser artista é mais conveniente e isso é bom, se o artista não fosse tão exibido não teríamos como apontar para a podridão de ninguém e acusar o outro daquilo que somos de mais semelhante. Sombras, demônios, solidão, luxuria, raiva, medo, desesperança, ignorância, ilusão, dor, alívio, morbidez, tais coisas compõem todo indivíduo que abre os olhos pela manhã e se intitula Vivo.
Agora temos a chance de ver tudo isso escarrado no papel por uma pessoa que pouco está compromissada com o nosso conforto psíquico, provavelmente sua forma crua de escrever seja um subestimo da nossa capacidade de abstração, na melhor das hipóteses. Os psicanalistas terão um prato cheio, cheio, mas tão cheio que lhes serão uma montanha que ofuscará o essencial a ser visto, ou seja, se quiser entender, desça do colo do Freud por uns minutos e leia como um ser humano normal.