Ncardoso29
O corredor quatro do supermercado cheirava a sabão em pó e amaciante. Era um cheiro limpo e bom, bem diferente do calor abafado daquela terça-feira de tarde. Noah segurava a lista de compras no bolso - pão, leite e a pasta de dentes de maçã do filho -, quando viu uma figura conhecida.
Era Mariana. Ela estava a poucos passos dele, lendo o rótulo de uma embalagem azul. O cabelo estava mais curto do que na época em que passavam horas conversando pela tela do computador. Usava um casaco cinza meio folgado e tinha aquele mesmo sorriso discreto de sempre, de quem está perdida nos próprios pensamentos.
Noah travou o carrinho de compras no chão.
Mariana nem percebeu que ele estava ali.
A cabeça de Noah, que nunca parava quieta, não entrou em pânico. Em vez de drama, ele apenas começou a lembrar do passado. Não pensou que ela tinha sido o grande amor da sua vida, mas achou curioso como uma pessoa pode marcar a nossa história sem mudar nada no nosso presente. Noah nunca entendeu os sentimentos como uma disputa de "quem ama mais". Para ele, Mariana tinha um lugar especial: o das boas conversas, dos livros divididos e das ideias compartilhadas.
Um homem se aproximou dela trazendo duas garrafas de água. Falou algo baixo e ela deu uma risada leve. O rapaz encostou a mão nas costas dela - com a naturalidade de quem já divide a vida há tempos - e os dois foram andando juntos para o caixa.
Ela parecia bem e feliz. Uma felicidade simples, daquelas que funcionam no dia a dia.
Noah continuou ali parado, sem dar um passo, sem chamar e sem acenar.
Se fosse no passado, ele se culparia por não sentir um aperto no peito ao vê-la com outro. Ficaria tentando entender e explicar essa reação. Mas, naquele momento, entendeu que o tempo apenas coloca cada coisa em seu devido lugar.
Ele olhou para a aliança no próprio dedo. Pensou em Aline: no sorriso acolhedor, no abraço cheiroso que sempre o acalmava e no jeito carinhoso como ela cuidava da família. Pensou n