Capitulo 5.

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Uns 15 minutos depois chegamos nessa tal festa. A música estava tão alta que dava pra ouvir umas cinco ruas abaixo

A moto parou e eu virei meu olhar pra casa. Eu to sentindo que isso vai da muita merda

Tirei o capacete, com o arrependimento crescendo a cada olhar torto e cochicho sobre mim

— Beleza a gente tá aqui, agora podemos voltar pra casa?

— Não- ele me puxou pra fora da moto- a gente acabou de chegar, me dá uma chance pra mostrar que isso também pode ser legal

— É. E mesmo assim umas cinco pessoas já me olharam torto e me fizeram sentir que não sou bem vinda- cursei meus braços na cintura e me encolhi

— É desde quando os olhares das pessoas de intimidam?- ele cruzou os braços sobre o peito

— Desde quando eu não tô na minha zona de conforto, e isso...- apontei em volta de nós dois- claramente não é minha zona de conforto

Ele revirou os olhos, pegou minha mão e me puxou para dentro da casa

Cheguei mais perto dele e segurei seu braço. Eu tô me sentindo um gatilho no meio de uma floresta

Uou. O lugar estava lotado, não tinha nem como andar direito

— Mas o qu...- olhei pro lado e antes mesmo de terminar de falar ele já tinha sumido

Ótimo, que maravilha. Estou sozinha em uma festa que eu nem queria está em pleno começo da semana

Entrei na casa a procura de algo pra beber ou comer. Preciso fazer essa festa passar mais rápido pra mim e nada melhor que comer. Eu deveria ter trazido uma bolsa e um livro

Finalmente achei a cozinha, vários tonéis de bebida, garrafas e mais garrafas de vodka e algumas jarras com ponche de frutas bem duvidoso

Pelo menos uma coisa que parece ser não alcoólica

Peguei um copo de plástico vermelho e enchi com ponche que parece ser de laranja com cereja

Me encostei na bancada, olhei para os lados e Meu Deus, só tem bêbado cambaleando aqui dentro

— Oi gatinha- Um bêbado parou na minha frente e tentou, sorrir, só tentou mesmo, porque pareceu mais uma careta- Vem sempre aqui

— Não- respirei fundo- e estou me arrependendo mais ainda- de um passo pro lado pra sair da frente dele

Saí com meu copo de ponche atrás de algum lugar mais silencioso pra ficar

Passei, ou pelo menos tentei passar, pelo meio da pista de dança, mas era tanta gente me empurrando que eu acabei sendo jogada pro sofá. Bom... pelo menos eu consegui um lugar pra sentar

Já fazia algumas horas que eu estava naquele lugar e nada do meu pseudo-sequestrador aparecer, e já estou no meu 5 copo de ponche. Eu quero muito um lugar calmo pra dormir

Eu ainda estava sentada no sofá quando uma menina de cabelos pretos, com lip tint vermelho e uma tatuagem de raio no pulso se jogou no meu lado

— Eu nunca te vi por aqui. É nova na cidade?- Fiz que "não" com a cabeça- mora aqui a muito tempo?- mexi a cabeça num "sim" desta vez

— E você aparentemente vem muito nas festas- Olhei pras pessoas que acenavam pra ela e ela devolvia com um sorriso meigo

— Em todas elas, desde que me mudei pra cá ano passado- A menina se ajeitou no sofá- Espera... eu acho que te conheço. Você é aquela ruiva que só tira 10 da turma C né- ela me olhou por completo- Porque veio pra festa hoje?

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