Capítulo 2: Recomeços

8 2 2
                                    

Nova Iorque, 1:30 PM. 30 de Junho. 5 anos depois.

Existem forças que devem ser sempre apreciadas.
A maior delas, talvez, é a de recomeçar....

Cinco anos depois do ataque, quem sobrou da família Watson está vivendo uma vida estável. Felizmente, não só eles - muitas famílias de lobisomens daquele povoado migraram para outros estados ou países.
Val e Ethan mudaram-se semanas depois do ataque, estão vivendo em Nova Iorque, é possível se misturar com todas aquelas pessoas caso não se transformassem em lobisomem. Com um novo emprego em uma empresa famosa, Val conseguiu sustentar a si mesma e seu filho, que terminou o ensino médio com médias excelentes - mas socialmente, Ethan não fez muitos amigos naquela escola... por sorte, teve Zuko, que esteve sempre ao seu lado.
Ambos os rapazes mudaram bastante. Ethan tinha abandonado o degradê e deixando o cabelo igualmente cacheado - já Zuko, deixou o cabelo deslizar ainda mais, era tão longo que podia fazer penteados incríveis com diversos tipos estilos.

Depois de três anos sufocados no ensino médio e escolhas de suas futuras profissões, os rapazes realmente estavam com o foco trilhado nos seus futuros. Mesmo com as dores das perdas de seus amigos e familiares da alcateia. Era o fim do período básico escolar, praticamente todos os alunos já tinham mandado as cartas de aceitação para as suas universidades favoritas para tentar a admissão. Naquele dia, todos os alunos decidiram se juntar no Central Park, um enorme parque natural na cidade de Nova York, fizeram um piquenique - e mesmo sem vontade, Ethan foi arrastado por Zuko.

—  Bem... acabou. — Zuko falou, chegando ao lado de Ethan, que estava quieto em baixo de uma árvore. Estava de braços cruzados e uma das solas dos pés encostada no tronco. Ele observava os colegas de sala, que comemoravam a saída e falavam de estudos, trabalhos e viagens.
— Acabou e nenhum deles sabe do que acontece de baixo dos panos, Zuko. —  Ethan respondeu. Não era mais o garoto sorridente e animado que costumava ser quando criança. Ethan tinha frieza em sua fala, mesmo com toda disposição de Zuko para fazê-lo mudar... ver seu pai morto na sua frente era um trauma muito difícil de se lidar.
— É, Ethan... você tem razão. Por isso ninguém aqui deve ser envolvido. —  Zuko abriu uma lata de Coca-Cola e entregou para Ethan, que adorava a bebida e então aceitou. —  Já sabe que graduação vai fazer?
— Ciências da Terra. E você?
— Ciências médicas... vai ficar por aqui mesmo?
— Pretendo, Zuko. Mas não por muito tempo... tenho contas para acertar e nem sei por onde começar.
—  Você precisa esquecer isso, Ethan... não precisa de mais sangue derramado.

Naquela hora Ethan queria responder Zuko com agressividade, relembrando para ele de tudo o que aconteceu há cinco anos antes na Califórnia. Mas era um dia de descanso, um dia que isso poderia passar... então deu mais um gole no refrigerante e foi se juntar com alguns colegas mais próximos deles - entretanto, todos temporários. 
Depois de algumas conversas superficiais, Zuko e Ethan decidem voltar para casa.

Cada um mora em um apartamento diferente, mas no mesmo prédio - Zuko mora com seus pais e Ethan com sua mãe. 

30 de Junho, 6:30 PM.

Depois de uma tarde chata, Ethan escuta os som da campainha do apartamento tocar, ao ver pelo olho-mágico da porta, vê que Zuko está arrumado e o esperando.
Por um segundo Ethan esqueceu que também estava arrumado porque tinham combinado de sair.
Ethan optou por um estilo básico, era verão e decidiu manter a simplicidade e não chamar muita atenção, como de costume. Estava vestindo uma jeans escura e um tênis All-Star preto, também usava uma camiseta preta de manga curta com estampas de dragões orientais.
Zuko tinha o estilo parecido com o de Ethan, usava uma jeans - porém clara - sandálias Havaianas azuis importadas do Brasil e uma camiseta preta de manga longa.

— Para onde, Zuko? — Ethan perguntou quando saíram do prédio.
— Eu não sei... tem uns restaurantes que quero visitar. Mas não sei se vai te agradar.
— Por quê?  — Questionava, prestando atenção nas pessoas naquela vida agitada de Nova Iorque durante a noite.
— Pessoas demais.

Ethan pensou que Zuko estivesse certo. As memórias dos últimos meses são meio complicadas. Na primeira lua cheia do último mês de Dezembro foi a primeira transformação de Ethan em sua forma de lobisomem completa... evitou pensar nisso e concordou com a saída do seu amigo.

— Vai ficar tudo bem, Zuko. Vamos. — Deu um soco fraco no ombro do outro rapaz e seguiram caminho.

30 de Junho, 7:00 PM.

Encontraram um restaurante um pouco lotado. Era sexta-feira, complicado encontrar um lugar que estivesse vazio. Era um lugar agradável, a maioria das mesas tinham poltronas vermelhas que cabiam três pessoas. A iluminação era um tanto amarelada e tocava música ao vivo. Legalmente, Ethan e Zuko não tinham idade para consumir álcool em restaurantes ou Pubs Over-21. 

— Pega uma mesa aí, Ethan. — Ethan parou de encarar os detalhes do restaurante. Zuko estava com um semblante de quem iria aprontar... e ele sabia exatamente o que era.
— Não precisa disso, Zuko. Vamos ficar de boa hoje. — Ethan chegou a sorrir. Zuko adorava aprontar, principalmente no uso das habilidades com os humanos. Logo sentou numa mesa.
— Irmãozinho, uma sexta à noite sem tirar uma onda é uma sexta-feira jogada fora.

Ethan observou Zuko ir até o balcão para pedir o que queriam. Ethan inclinou-se numa das poltronas e ficou dedilhando seus anéis. Viu uma dupla de garotas com vestidos curtos em outra mesa. Bebiam alguma coisa vermelha por um canudo metálico - talvez uma batida alcoólica. Elas sorriram quando ele as encarou, mas não perdeu a postura. A atenção de Ethan foi roubada rapidamente com a chegada de Zuko e duas long-necks de Heineken. 

— Acho que a gente já conversou sobre usar suas habilidades de lobisomem em humanos.
— Persuasão é um dom natural, Ethan. — Zuko sorriu, abrindo as duas cervejas.
— Você é o único da alcatéia com persuasão. Isso é trapaça. — Ethan pegou sua cerveja, dando uns goles e voltando a trocar olhares com as garotas.
— Trapaceiro é só uma palavra deselegante para vencedor. — Retrucou Zuko, que começou a olhar as garotas também, soltando um "Uuh..." baixinho. Dentre os dois, Zuko era mais popular com as garotas, mas não era tão atirado porque ele e Ethan prometeram ser discretos como os seus pais para não chamar atenção em outra cidade.

As garotas foram para a mesa dos rapazes por um convite por aceno de Zuko, não demorou muito tempo para a conversa resultar com as garotas escrevendo seus números de celulares em papéis e deixando com Ethan e Zuko. Mas não passou disso.

Depois de beber e comer, eles voltam para casa.

01 de Julho. 02:45 AM.

Ethan acorda.
Mas não por sua vontade, ele estava suando frio. Ouviu o som de um uivo muito forte, um uivo que lembrou o dia do ataque na Califórnia - fora tão real que não conseguiu distinguir se o som veio de fora do apartamento ou foi apenas sonho. "Talvez seja sonho", pensou, já que não ouviu sua mãe levantar para chegar. Ethan andou até a varanda do apartamento, encarando a cidade que nunca dorme com o questionamento se havia mais um ali além de quem residia nos apartamentos.

Mas era hora de esquecer o passado. Foram cinco anos de batalha em sua mente para isso não o atormentar mais. Zuko e sua mãe sempre fizeram de tudo para a sede de vingança de Ethan não ser maior que sua sanidade - e por muita sorte, isso estava acontecendo.
Até que ele ouviu o celular vibrar e uma notificação iluminar o ambiente escuro.

[Aplicativo de Mensagens]
Ashley
"Oi, Ethan! É a Ashley, lá do restaurante. Acordei no meio da noite e estou sem sono. Cê tá por aí?"

"Oi, Ashley. Tô sim. Acabei de acordar também."

"Tive o maior pesadelo haha como você está?"

"Tô tranquilo, só meio entediado."

"Menos mal! Tá afim de sair pela tarde? Tô afim de ir no Central Park depois do trabalho, eu largo mais cedo no sábado."

"Beleza, eu te espero lá."

Ethan e a garota trocaram mais algumas mensagens até acabarem caindo no sono.


EU ME LEMBRO DO QUE VOCÊ FEZOnde histórias criam vida. Descubra agora