The Change You Bring

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Viver em Itália era...incrível. Tão bom que Laura quase nem encontrava palavras. Era uma estudante de secundário absolutamente fascinada com tudo o que envolvesse arte, desde a sua história até á prática. Por ser das melhores alunas do país, foi-lhe oferecida uma oportunidade única: viver em Florença durante seis meses, para estudar o florescimento renascentista. Ela adorava o seu país, a sua família, enfim, tudo o que conhecia desde que se lembrava de ser gente. Quando esta oportunidade apareceu Laura ficou relutante, afinal não se imaginava longe de casa durante tanto tempo. Não estava disposta a deixar tudo o que conhecia e de todos os que amava. Eventualmente, chegou á conclusão de que ia ser algo que estava a fazer por si própria, e não para agradar ninguém, pela primeira vez. Ia seguir o seu sonho com total apoio da mãe, das únicas pessoas que ainda tinha e dos únicos motivos de felicidade na sua vida.
Ah, sim, a vida de Laura não tinha sido propriamente a mais fácil. Já tinha passado por muito mais que uma jovem de 17 anos poderia imaginar passar. Quando pequena sofria abusos por parte do pai. Batia-lhe, gritava com ela, fazia-a com que ela basicamente trabalhasse para ele, entre outras coisas, tudo devido ao vício. A sua mãe, Sara, não ficava atrás. A pequena tinha horríveis memórias, sons gravados para sempre na sua mente: os gritos de dor da mãe enquanto era violada pelo marido. Laura não teve infância, pelo menos não uma real. Aos 13 anos o seu pai faleceu devido a uma overdose. No funeral ela não chorou, afinal aquele homem apenas lhe tinha causado sofrimento. Em casa...a história foi um bocado diferente. Encontrou um ambiente completamente caótico, idêntico ao que se passava na sua cabeça, o que foi o choque de realidade. Aí sim, permitiu-se chorar. Lágrimas de alívio, que passaram às lágrimas de medo e raiva que trazia reprimidas há algum tempo. Tudo isto fez com que Laura nunca seguisse instintos ou fizesse coisas por prazer próprio, nunca o tinha feito porque nunca lhe tinha sido permitido. Agora, apesar de se terem passado 4 anos, Laura continuava a mesma rapariga que vivia o constante medo de arriscar ser feliz e lhe tirassem tudo antes que pudesse sequer aproveitar.

Já haviam passado 3 meses dessa experiência. Laura não podia pensar outra coisa que não estar apaixonada por aquele lugar. Como era uma oportunidade única, ela tentava sempre visitar o máximo de lugares possível. Tinha até criado uma lista:

• Galerias Uffizi;
• Catedral de Santa Maria del Fiore;
• Palácio Vecchio;
• Basílica de S. Lourenço;
• Basílica de San Minato al Monte;

Já havia visitado alguns com as suas amigas, quando todas tinham tempo livre. Beatrice, Júlia e Helena eram as melhores amigas de Laura desde que voltou a ir às aulas depois de...tudo. Eram como que família. Beatrice era uma italiana que tinha vivido a maior parte da sua vida fora de Itália, porque os pais estavam sempre em viagens de trabalho, e que, por isso, decidiu viver sozinha assim que completou 18 anos. Júlia e Helena eram as suas melhores amigas de infância que a tinham acompanhado na viagem. Assim, todas tinham a mesma curiosidade no que tocava a visitar os pontos atrativos (ou não) da cidade.
– Beatrice, vamos! Já estamos atrasadas! - voltou a insistir, sentada aos pés da cama, enquanto esperava pela amiga. Estava ansiosa por riscar mais um lugar da sua lista, a Igreja di San Minato Al Monte. Tinham visto que ia haver uma expedição em grupo para "o sítio com melhor vista para a cidade", e, como é óbvio, nem sequer ponderaram não ir.
– Já viste a rainha de Inglaterra chegar cedo a algum evento? - ela perguntou, pondo os óculos de sol na cabeça. Laura disse que não com a cabeça, rindo. - Então, pronto. Nós não estamos atrasadas, os outros é que chegam cedo demais.
Helena, que abriu a porta do quarto novamente para as chamar pela trigésima vez, caiu na gargalhada ao ouvir tal expressão. Júlia acompanhou-a. Entre piadas e conversa, chegaram ao ponto de encontro, onde, como espectável, já havia um grupo considerável de pessoas. O mais impressionante foi que ainda não estava completo, o que resultou no constante som da voz de Beatrice a soar nos ouvidos de Laura:
"Vês?? Ainda há pior que eu!".
Alguns minutos depois, deram início á atividade.

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