Perseguição na US Route

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Michael Jackson
Us Route 101, Uma Hora de Olympia
1 de maio de 1994, 15:34

 A música do Bee Gees, "Stayin' Alive", traz um pouco de descontração à situação. Sorrindo, eu observo Petra cantar euforicamente ao volante. Isso me lembra de quando éramos jovens, passávamos horas ouvindo música e lendo quadrinhos juntos. Eu sempre amei ficar perto dela, sempre me senti seguro ao seu lado. Petra sempre foi o tipo de garota que qualquer cara mataria para ter ao lado, ela é perfeita de maneiras inimagináveis e eu sou tão sortudo por ser seu melhor amigo. A amo como uma irmã. Ela é uma das coisas mais preciosas da minha vida após Paola. Sempre esteve ao meu lado, independente de qualquer coisa.

 — Às vezes, é fácil esquecer a beleza simples que nos rodeia — comento, olhando para Petra. Ela olha para mim e faz uma careta engraçada.

 — Fala isso para Agnes e ela fica ainda mais obcecada por você! — ela brinca, me fazendo rir.

 — Deus é mais! — digo entre risos — Foi um erro gigante. E ainda bem que Paola está dormindo, se não, ela puxaria nossas orelhas só por falar dela — Petra dá uma olhada no espelho do carro e encara Paola dormindo no banco de trás como se fosse um lindo bebê, coberta pelo meu sobretudo preto que a cobre perfeitamente. Volto minha atenção para Petra que está tensa. Seus olhos se estreitam enquanto ela olha pelo espelho retrovisor.

 — Temos companhia — ela murmura. Eu me viro para olhar. Três carros pretos surgem atrás de nós, seus faróis brilhando na luz do dia. Eles estão se aproximando rapidamente, e Petra pisa no acelerador em resposta. A Mercedes salta para a frente, mas os carros continuam a se aproximar.

 Um dos carros consegue nos ultrapassar, posicionando-se na frente da Mercedes. Petra se assusta dando um gritinho. Os outros dois carros se aproximam, um de cada lado. Estamos encurralados. Meu coração está acelerado, minhas mãos tremem.

 — Michael, pegue a arma que está no porta-luvas! — Petra ordena firmemente. Sem hesitar, faço o que ela me pede. Abro o porta-luvas e pego uma pistola prateada. Carrego-a com algumas balas. — Agora, você sabe o que fazer. Atire nos pneus!

 Com a arma em mãos, sinto o peso da situação. Nunca pensei que teria que usar uma arma, mas agora, a vida de Paola e do nosso bebê estão em jogo. Respiro fundo, aponto a arma para fora da janela e miro nos pneus do carro à nossa direita. Puxo o gatilho, o som do disparo ecoa na floresta. O carro dá um solavanco e sai da estrada, batendo em uma árvore.

 — Ótimo trabalho, Michael! Agora o outro! — Petra grita, enquanto manobra a Mercedes para evitar o carro à nossa frente.

 Aponto a arma para fora da janela do lado de Petra, apoiando meu antebraço em suas costas. Miro no carro ao nosso lado, com meu coração batendo forte no peito. Puxo o gatilho novamente, e mais um carro sai da estrada. Agora, só resta o carro à nossa frente.

 — Petra, preciso de um tiro limpo no carro da frente! — digo, preparando-me para o último disparo. Petra acena com a cabeça, concentrada na estrada. Ela faz uma manobra rápida, colocando-nos ao lado do carro da frente. Respiro fundo, miro e puxo o gatilho. O pneu estoura e o carro sai da estrada. Com os três carros fora de ação, Petra acelera.

 Abro o porta-luvas e pego mais balas. Recarrego a arma com mãos trêmulas, mas firmes, e a guardo comigo. Sempre fui um homem pacifista, alguém que acredita no poder do amor e da compreensão. Mas agora, diante do perigo que ameaça minha família, estou disposto a colocar tudo de lado. Estou disposto a fazer o que for preciso para proteger Paola e nosso bebê.

17:53

 Estamos parados em um posto de gasolina, o sol se pondo no horizonte. Petra e eu estamos do lado de fora, abastecendo o carro, enquanto Paola está dentro da loja comprando algumas coisas para comer e beber.

 — Você acha que ela vai conseguir? — Petra pergunta, olhando para a loja — Ter o bebê em meio a toda essa bagunça?

 Dou de ombros, minha mente correndo com infinitas possibilidades. Paola está no nono mês de gravidez, e a qualquer momento, nosso bebê pode chegar.

 — Ela é forte — digo, tentando parecer o mais confiante possível — Ela vai conseguir. O celular de Petra toca dentro do carro. Ela o pega pela janela do carro ao nosso lado e atende. Imediatamente reconheço a voz do outro lado da linha. É Daniel.

 — Oi, Daniel — Petra diz, sua voz tensa — O que você e Patrice descobriram?

 Daniel em um tom carregado conta a Petra o que descobriu sobre Agnes. Ela simplesmente quer o nosso bebê porque ela perdeu o dela. A notícia me atinge como um soco no estômago. Petra desliga o telefone, seus olhos encontrando os meus.

 — Agnes quer o bebê, Paola não pode saber disso — ela diz, sua voz baixa — Agnes perdeu o dela no mês passado e parece que na cabeça dela faz sentido pegar o seu — a ideia de Agnes querendo nosso bebê é aterrorizante, mas não posso deixar que o medo me controle. Não agora.

 — Nós não vamos deixar isso acontecer, Petra — digo, minha voz firme — Vamos proteger Paola e o bebê — Petra assente.

 — Eu sei — ela sussurra — E é por isso que precisamos continuar em movimento. Precisamos continuar à frente de Agnes.

 Nesse momento, Paola sai da loja, carregando uma sacola cheia de comida e bebida. Ela sorri ao nos ver, alheia ao perigo que nos ameaça. Caminho até ela lhe dando o sorriso que dou para a imprensa e aos meus fãs quando estou triste.

 — Eu nunca vi dessa barrinha de chocolate antes! — ela fala empolgada enquanto tira uma barra de chocolate da sacola que está cheia delas — Não vejo a hora de provar!

 — Faça as honras, eu levo pra você! — digo pegando as sacolas para ela que me dá aquele sorriso lindo dela. Minha linda mulher abre a barra de chocolate e começa a comer. Ela fecha os olhos e murmura o quanto é gostosa. Enquanto nos aproximamos do carro, Petra nos encara com um semblante tão tranquilo. Entrego uma das sacolas para ela.

 — Obrigada, Michael! — Petra exclama, pegando a sacola de mim. Ela dá uma olhada rápida dentro e seus olhos se iluminam ao ver seus salgadinhos favoritos. Ela dá um pulinho de alegria e corre de volta para o carro, ansiosa para começar a comer.

 Enquanto isso, Paola termina sua barra de chocolate, com um sorriso satisfeito em seu rosto. Ela parece tão contente, tão alheia ao perigo que nos ameaça. E eu faria qualquer coisa para mantê-la assim.

 Abro a porta de trás para Paola entrar e volto para o meu lugar no banco do passageiro. Enquanto me acomodo no assento, não consigo deixar de sorrir. Estou cercado pelas mulheres mais incríveis do mundo, mulheres que são simples e fáceis de fazer feliz. E, apesar de tudo, isso me dá esperança. Esperança de que, não importa o que aconteça, vamos ficar bem.

Simile | Michael JacksonOnde histórias criam vida. Descubra agora