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𑁋 Lorenzo, querido, vá perguntar ao recepcionista qual é a nossa mesa

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𑁋 Lorenzo, querido, vá perguntar ao recepcionista qual é a nossa mesa. 𑁋 Mamãe pede a papai com a voz doce, carregada de elegância, mas já marcada por uma leve impaciência que apenas quem convive com ela percebe. Caminhamos lentamente pela sala de estar, cumprimentando cada rosto conhecido que surge pelo caminho — mãos estendidas, sorrisos educados, cabeças inclinadas em pequenos gestos formais.

O salão está abarrotado. Risadas contidas se espalham pelo ar perfumado de fragrâncias caras, tão misturadas que já não sei identificar nenhuma. O tilintar dos brindes se repete de forma quase coreografada, criando uma trilha sonora de riqueza e aparências. O chão de mármore brilha de tão polido, refletindo as luzes amareladas dos enormes lustres — e, no reflexo, vejo a mim mesma. Ombros alinhados, queixo erguido, expressão segura... ou pelo menos é o que tento fazer parecer.

𑁋 Eu não aguento mais fingir que sou educado. 𑁋 Pietro murmura perto do meu ouvido, com aquele sorriso torto e debochado que só ele sabe dar.

Seguro o riso antes que escape. 𑁋 Vai ter que aguentar mais um pouquinho. Eu, por exemplo, não aguento andar com esses saltos... e fazem três minutos que estou tentando parecer natural. 𑁋 Enrosco meu braço no dele, tanto para manter o equilíbrio quanto para me agarrar a algo que não seja essa sensação de estar fora do meu próprio corpo.

Ficamos ali, parados por um segundo, observando papai se afastar em direção à recepção. Ele caminha com a usual postura impecável, mas mesmo assim parece deslocado no meio do tumulto elegante.

O som das conversas se mistura ao piano suave tocando ao fundo — uma melodia clássica, provavelmente escolhida para dar um ar ainda mais sofisticado à noite. O perfume que domina o ambiente vem dos arranjos de lírios espalhados pelas mesas, flores brancas e enormes que combinam com a temática exageradamente refinada do evento.

𑁋 Vocês estão indo muito bem. Espero que continuem assim. 𑁋 Victória comenta baixinho, apenas para Pietro e para mim, enquanto ajeita discretamente a pulseira no pulso. O sorriso que ela nos dá é o típico sorriso dela — elegante, contido... e carregado de expectativa.

𑁋 Mãe, se passaram cinco minutos desde que entramos no jantar. 𑁋 Pietro retruca, levantando uma sobrancelha em pura provocação. A expressão dele é o retrato perfeito do tédio.

𑁋 E nesses cinco minutos, vocês se saíram muito bem. 𑁋 Ela responde num tom doce demais, com aquele sorriso que Pietro e eu reconhecemos desde a infância — o sorriso que diz "continuem representando".

Eu observo papai ao longe. Ele está demorando bem mais do que o habitual. Normalmente, descobrir o número da mesa não leva mais que trinta segundos. Vejo mamãe lançar um olhar disfarçado para o relógio, e a calma cuidadosamente montada dela começa a rachar. Os dedos dela tamborilam no braço de Pietro, um gesto automático, quase imperceptível, mas suficiente para que saibamos: ela está ficando nervosa.

O Inimigo Do Meu IrmãoOnde histórias criam vida. Descubra agora