O veneno mais forte

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Ninguém pensou que este sobreviveria
Criança indefesa, sempre a caminhar um passo atrás
Prendi você em um sonho, nunca deixarei você ir
Nunca deixei você rir ou sorrir, você não

(Poison Heart - Ramones)

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O lírio branco rodava nos dedos de Agathia, que sorria. Já fazia bastante tempo que não sorria, e para Lucca, que puxava um cachimbo ao seu lado, era um sorriso sinistro, como um corte longo e profundo rasgado em sua face.

— Hoje volto para o Santuário, terminou meu castigo.

— Inacreditável. Você não se cansa de ser idiota. — ralha o italiano.

— E o que você quer? Eles me perguntariam se eu não voltasse.

— E então você diria que desistiu, simples assim.

— Vá à merda.

Não tinha discussão. Não haveria Hades no mundo ou no submundo que a impediria de voltar, de acompanhar de pertinho a queda do Santuário, e em especial a queda deles.

— E Alexia? — pergunta ela.

— Sobreviveu. Parece que ainda não está totalmente bem, mas está viva, aquela praga.

O rasgo no rosto de Agathia mostrou dentes.

— Assim vai ser mais interessante. Vamos testar isso que Ruco nos enviou.

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Era uma visita um tanto desconcertante. Apesar de ter se passado seis meses, era estranho estar numa sala com Agathia, ainda que se esforçasse para investir em uma segunda chance. E se era difícil para ele, não conseguiria imaginar como seria para Alexia, que estava na cozinha fazendo chá enquanto se preparava para encarar a garota que lhe dera um sarrafo no semestre anterior. Albafica terminou de mastigar um dos bolinhos que a visita havia trazido como cortesia.

— Isso está bem gostoso. — diz com sinceridade, e Agathia sorri de forma meiga.

— Senhor Albafica — ela parecia mansa e sua fala era leve — Peço desculpas pelo que aconteceu e peço que me dê uma chance de recomeçar. — disse, já que aquele elefante imenso estava entre eles.

— O que mais queremos é que você encontre seu caminho aqui no Santuário. Tudo vai se acertar, Agathia.

— Régulus tem me ajudado muito. — conta, despretensiosamente. Sabia que quanto mais falasse de coisas corriqueiras, mais conseguiria ganhar o coração das pessoas do Santuário, principalmente se se mostrasse interessada — Tem me acolhido e investido em meus treinamentos.

— Ele é um ótimo mestre. Fico feliz que esteja lhe dando esse suporte.

Alexia entra na sala com uma bandeja prateada amparada em ambas as mãos. Ainda estava com alguma fraqueza muscular e nunca sabia quando seria traída por seu corpo, por isso tomava muito cuidado, não queria fazer sujeira e quebrar as porcelanas da casa de Peixes. Serviu as xícaras, e Agathia não deixou de notar o tremor nas mãos da outra. Ainda estava fraca, embora, como sempre, se esforçasse para parecer bem. Alexia era mesmo uma grande farsa.

— Está ótimo, muito obrigada. — sorri Agathia após tomar um gole do chá.

Alexia se ajeita ao lado de Albafica. Não sabia ao certo o que falar.

— Você está ótima, parece ter descansado. — arriscou.

— Deu tempo para isso também, mas como dizia para Albafica, estou me dedicando aos treinos com a ajuda de Régulus.

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