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A viagem foi longa, silenciosa por dentro, barulhenta por fora. Cada pessoa tentando fingir que não havia uma tensão no ar. Eu não era boa com silêncios... eles sempre escondiam gritos.

Depois de algumas horas no jatinho, chegamos à casa que alugamos no litoral da Itália. Uma mansão isolada, branca, rodeada por pedras e mar. O vento vinha forte da encosta. Era bonita... mas eu não estava em paz.

Maluma veio até mim com um sorriso forçado e tentou pegar minha mala.

Maluma: “Deixa que eu levo.”

Eu: “Não precisa.”

Ele recuou, sem discutir. Já era raro ele tentar.

Camila passou por nós com os olhos grudados em mim. Jade caminhava logo atrás, de braços cruzados, a cara fechada. Ela parecia desconfiada... ou cansada de fingir.

A mansão era enorme. Cada um foi explorando seus cantos. Dinah e Normani correram para escolher quartos juntas, rindo alto. Eu fiquei para trás, com a mão na barriga. O bebê estava quieto hoje. Como se sentisse.

Entrei num quarto de canto. Vista pro mar. Silêncio absoluto. Fechei a porta e respirei fundo. Tirei os sapatos. Olhei no espelho... e tudo que eu via era cansaço.

Batidas na porta.

Maluma: “SN... posso entrar?”

Eu: “Entra.”

Ele entrou devagar, como se pisasse em cacos de vidro. Sentou na beirada da cama. Ficamos em silêncio por alguns segundos. Ele me olhava como quem procura algo que já perdeu.

Maluma: “A gente precisa conversar.”

Eu: “É. Precisa.”

Maluma: “Você não é mais a mesma comigo.”

Eu: “Talvez porque eu descobri que não dá pra confiar em quem diz te amar e esconde mentiras.”

Maluma: “Do que você tá falando?”

Eu: “De tudo. Da Jade, do teu silêncio. Eu não tô louca. Eu sinto quando você tá com outra. E quer saber? Eu tô cansada.”

Ele tentou pegar minha mão. Eu tirei.

Eu: “Eu não quero mais isso, Maluma. Nem por mim, nem por esse bebê.”

Maluma: “Você tá dizendo... que tá terminando comigo?”

Eu: “Tô.”

Ele ficou em silêncio. Depois levantou. Não tentou discutir. Só saiu.

No corredor, Jade esperava na porta, de braços cruzados. Ela encarou Maluma.

Jade: “Ela terminou contigo, né?”

Maluma: “É.”

Jade: “Você não vai fazer nada?”

Maluma: “Ela já decidiu.”

Jade cerrou os punhos. Seus olhos se encheram de lágrimas. Mas não era tristeza. Era ódio.

Todos estavam reunidos na sala. Normani preparava drinks, Dinah dançava com uma taça na mão, tentando fazer o ambiente parecer leve.

Camila estava de pé, encostada na parede, me olhando. O olhar dela... me despia.

Jade se aproximou, forçando um sorriso. Parou ao meu lado com uma postura falsamente simpática.

Jade: “Posso falar contigo rapidinho?”

Eu hesitei. Mas fui.

Saímos pro lado de fora. O vento bateu forte no rosto. O mar lá embaixo rugia contra as pedras.

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⏰ Última atualização: Jul 28, 2025 ⏰

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