2. Estrangeiro

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Divessss, segundo capítulo entre nós! Estava relendo, editando e pensando em como deixar melhor, então decidi tirar algumas coisas pequenas. Hoje temos uma personagem nova, então leiam!

Se preparem porque hoje tem flashback, e essas são minhas partes favoritas da história! Acho que vale um voto, né?  

Espero que gostem, e não se esqueçam de colocar as sugestões de músicas para tocar! Eu indico o momento certo pra vocês darem play! 

🫀

Jimin não estava bem, tampouco estava mal.

Ele apenas não estava.

Era algum tipo estranho de mecanismo de defesa que surgira durante sua adolescência. Ele se tornou apático para que não se machucasse com a repentinidade de suas emoções.

Talvez esse fosse o problema de estar com Jungkook: ele não conseguia manter sua impassibilidade quando se tratava de seu relacionamento com o alfa.

Depois de sair às pressas do Heloi e ir para casa, deixou que seus pés se movessem automaticamente até o quarto. Os olhos já nublados de cansaço correram pelo local, analisando a ordem estranhamente caótica. Era tão organizado que chegava a perturbar.

Droga, ele já conseguia escutar a voz de Jungkook em sua cabeça.

— Um pouco de bagunça faz bem... - ele deu uma risada, se jogando no colchão.

Pensou estar sozinho, mas então escutou o som de patas tocando o piso de madeira lisa. Ele levantou a cabeça apenas para ver o exato momento em que Luna pulou para a cama, caminhando calmamente até se deitar sobre sua barriga. 

— Veio na hora certa, sabia? - os dedos curtos acariciaram o corpo liso e sem pelos, enquanto a gata ronronava com o toque. 

Ela levantou a cabeça por alguns segundos, e Jimin viu a única marca escura colorindo a lateral do focinho, um toque tão pequeno e especial que a tornava única. Um minuto depois, ela voltou a descansar a face sobre seu peito.

Tateou a cama até encontrar um controle, e então apertou o botão de ligar assim que o achou.

O teto ganhou uma Lua imensa e brilhante, ao lado de outros planetas e constelações. Era um mecanismo interessante para não se sentir sozinho, ainda não tinha adotado Luna quando se mudou para aquela casa. Quando instalou a máquina que projetava as imagens, sentia que serviriam de companhia, como se estivesse sendo abraçado pelo universo.

Mas naquele momento, não sentia nada disso. Eram apenas imagens vazias e impassíveis. 

Ele só não se sentia sozinho por conta da gata, que agia como um escudo: ela parecia ser a única que desarmava Jimin completamente.

A cama já fora mais macia, e o quarto mais quente, mas deveria ser o contrário: o certo seria estar alegre e feliz por ter sido maduro o suficiente para deixar Jungkook ir.

Mas a sensação de ver o alfa partindo era amarga e adstringente. Sua língua enrolava-se dentro da própria boca e o estômago parecia dolorido. Não havia satisfação alguma em seu peito, porque ele apenas sentia que estava perdendo Jeon mais uma vez.

Ele não chorava, apesar de sentir-se derrotado. Há tempos não conseguia produzir uma única lágrima. Seu canal lacrimal provavelmente já não funcionava mais.

Jimin não sabia como ainda tinha Taehyung e Seokjin, porque ele raramente estava bem-humorado e sorridente. Andava sempre com a cabeça nos patins e os patins nos pés, nunca priorizando sua relação com seres vivos, apenas com a pista.

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