Andarilho (BDSM) (Parte 4)

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Eu odeio a chuva. A chuva é idiota. Como alguém poderia ter medo dessa droga? É água. Trovões são barulho, não há porque temer o barulho. Além disso, se o barulho chegou, é uma certeza de que o raio já caiu. A luz viaja mais rápido que o som. E essa droga de chuva está atrapalhando meus planos. 

- Você xingar a chuva não fará com que acabe mais rápido. - Aether me avisou, distraído ao observar o céu. 

Admirado com as gotas descendo pelas folhas das árvores. Como se fosse a coisa mais bonita aqui. E claramente não é, é ele, mas ele não tem o prazer de ser ver o tempo todo.

- Veremos. - Avisei, ainda de braços cruzados, voltando a olhar para frente, para a chuva idiota.

Nosso encontro foi interrompido pela chuva e agora estamos esperando passar. O céu não está nublado, é uma chuva de verão que está refrescando o ambiente. Como se Sumeru não fosse úmida suficiente. 

Então ouvi alguém chamando pelo viajante. Que logo sorriu ao ver Sethos se aproximando com animação, Cyno está o acompanhando, mas não está tão animado. E agora só quero ir embora. As regras ainda estão válidas, então posso pegar Aether e o levar embora pelo céu, onde ninguém nos atrapalhará. 

Cyno parou ao meu lado, me cumprimentando rapidamente com a cabeça e logo cruzando os braços. Focamos em observar Sethos e Aether conversando de forma animada. Do deserto, da chuva, da cidade, da comida, de locais bons para visitar, de animais, de aventuras, do calor, do frio. De qualquer assunto que conseguiram conversar.

Algo me chamou a atenção. Algo que me irritou ainda mais do que a falação dos dois. Sethos disse que seus "homens" já estão prontos para ir. Como se avisasse Aether. Que demonstrou animação em participar da expedição. E o nosso encontro?

- Mouche. - Chamou, se virando para mim, animado. - Te vejo mais tarde? Tenho que ir explorar! - Sua animação é evidente, mas não, necessariamente, concordo com ela. 

- E o que estávamos fazendo? - Questionei, ainda sério. - Estou com dois de três, significa que ganhei?

- O encontro? - Perguntou, se lembrando. - Ah, claro. Ganhou. Te vejo mais tarde, tá?

Então tive uma ideia, posso ir com ele para essa "aventura". Ainda não tive a oportunidade de vê-lo sendo esse tal aventureiro que alega ser com tanto orgulho. O viajante que muito apreciam como salvador e protetor. 

Aether começou a se afastar, indo até onde Sethos indicou. Comecei a andar atrás dele, mas Sethos logo bateu seu corpo ao meu por trás. Virei meu olhar para o lado, irritado com sua aproximação. 

- Pode me dar uma ajuda? - Perguntou, sorrindo um pouco incomodado por estar pedindo. - Cá entre nós, acho que Cyno já não aguenta mais responder minhas perguntas. Pode me levar até onde quer que seja essa tal biblioteca? 

- Ali. - Avisei, apontando levemente com a cabeça, sem qualquer outra explicação. 

- E pode me acompanhar? - Ele esticou a mão virada com a palma para cima em direção a chuva; a molhando levemente. - Seu chapéu é ótimo, não quero molhar os livros que me emprestarão.

Senti meu sangue começar a ferver, já ia negar, mas percebi a presença de Aether sumindo. O procurei rapidamente com o olhar, mas ele já saiu com os companheiros para essa tal exploração. Minha resposta a Sethos foi um longo suspiro e o "ok" mais seco que já dei na minha vida. E apesar disso, sua resposta foi um "obrigado" muito longo, cheio de enfeites gramaticais e com certeza deu para sentir que veio do fundo de sua alma.

Após a chatice de Sethos, meu dia seguiu vazio e relativamente tranquilo. Meu dia já estava vazio, de manhã encontrei com Aether por acaso. Estava entediado e ele me levou a esse tal encontro, preenchendo minha agenda vazia. E agora minha tarde está vazia novamente. 

Aether... haaa (+18) {Concluída}Onde histórias criam vida. Descubra agora