Xiao (Parte 2)

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- Então... você não vai me dizer o que estamos fazendo aqui?

Xiao me trouxe para o porto de Liyue, mas não me disse o que viemos fazer. Não estamos no porto movimentado, mas no topo de uma montanha. Observando as pequenas pessoas vivendo suas vidas.

- Eu preciso?

- Seria ótimo. - Respondi rápido, sem deixar cair o tom de seriedade, mas também de brincadeira. 

- Não estamos fazendo nada. 

- Isso eu percebi.

Xiao cobriu minha boca com sua mão, me encarando. Mesmo neutro consigo perceber seu olhar de "você fala demais". Ele não duraria cinco minutos com a Paimon se pensa que eu falo demais. E admito que passei a falar mais. Acho que começou em Fontaine ou Nod-Krai. Parece que minha participação verbal tem sido mais frequente nas discussões. 

- Eu só quero passar tempo com você. - Explicou, soltando meu rosto.

- Uou... E não podemos fazer isso no bule? Comprei um tapete novo que... - Xiao cobriu mais uma vez. 

- Não precisamos apressar as coisas. - Sua mão seguiu para a minha orelha, acariciando com cuidado. - Nem tudo precisa terminar assim... em...

- Sexo?

- Sim...

Suspirei, triste, mas nem tanto. Nem tudo se resume a sexo, nisso eu não posso discordar. Parece que minha vida tem girado em torno disso. E há muito mais, muito mais... Quer saber? Não me importo. Eu tenho muita vida pela frente, não quero perder nenhuma oportunidade. Se o Xiao quer um encontro, darei a ele um encontro.

- Que tal um acordo? - Sugeri, agora com o olhar distraído para o céu. 

- Acordo?

- Podemos dizer que é um trato.

- Prossiga. 

- Você me diz exatamente o que quer e eu farei o meu melhor para cumprir. 

- E o que você quer? - Posso sentir seu interesse, ele está disposto a negociar.

Sexo. Transar até dormir. Você me beijando por todos os lugares que alcançar. Talvez... meter em você.

- Um almoço grátis.

- Almoço? - Seu tom de confusão o deixa ainda mais fofo. É uma ingenuidade que a guerra não conseguiu tirar. - Tudo bem, mas eu posso escolher?

- Pode, claro. - Respondi rápido.

Em poucos minutos estávamos dentro do bule, frente a frente, armas em mãos. Com nossa lança e espada prontas para um confronto.

- Olha... - Comecei, apoiando a lâmina da espada no chão. - Quando você disse que queria sair comigo, achei que seria um encontro. Comer algo, assistir uma peça, ver o pôr do sol... Não... um treino de combate. 

Xiao não mudou a expressão.

- É preciso manter o corpo afiado, tanto quanto a mente e a alma. - Ele explicou, girando a lança com essa precisão impecável de sempre.

- Isso não soa nada romântico. - Suspirei.

Ele avançou antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa. A lança veio rápida, cortando o ar com uma precisão quase assustadora. Levantei a espada por reflexo, o choque das armas ecoando dentro do bule. Xiao é rápido. Mais do que eu lembrava.

- Concentre-se. - Ordenou. 

- Estou tentando. - Respondi, desviando por pouco de outro golpe.

Xiao não dá aberturas fáceis. Cada um de seus movimentos é limpo, eficiente, extremamente calculado. Eu recuei dois passos, quase perdendo o equilíbrio quando a ponta da lança passou raspando perto do meu ombro. Xiao apareceu atrás de mim num instante.

Aether... haaa (+18) {Concluída}Onde histórias criam vida. Descubra agora