capítulo 29

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Eu nunca fui um homem violento, nem alguém que carregava o peso da raiva, mas naquele momento, uma fome por vingança me consumia, desejando o sangue de alguém como se fosse o único alimento capaz de saciar minha dor.


Duas horas após o sequestro, Seul se transformou em um labirinto de pesadelos. Cada segundo longe de Jimin e das minhas filhas, Hope e Faith, era como um garfo torcendo minhas entranhas. No aeroporto, o ar parecia denso, minha ansiedade um monstro crescendo dentro de mim, enquanto aguardava por Kinn e Porsche, cujo avião, uma besta de metal pronta para a guerra, acabara de tocar o solo com um som ameaçador.


O som das hélices diminuindo era como um relógio de areia contando o tempo até o confronto final.


-Kinn saiu primeiro, seu olhar mais frio que a neve sobre as montanhas de Seul, seguido por Porsche, cuja expressão de medo era quase palpável, seus olhos como poços de preocupação. Não estavam sozinhos; atrás deles, homens vestidos de preto, o tecido brilhando sob as luzes do aeroporto, carregando o peso da tecnologia de guerra, suas mãos firmes sobre armas de alta precisão.


-Jungkook, recebemos uma mensagem distorcida esta manhã. Hyujin quer te enfrentar... é uma armadilha, mas ele insiste.


disse Kinn, virando o laptop para mim, a tela brilhando com palavras que pareciam escritas com sangue.


O e-mail era curto, mas cada palavra era um veneno lento, falando de um "último encontro" no lugar onde "o casamento começou". Meu estômago se revirava ao reconhecer o local: o salão onde Jimin e eu nos casamos, agora um cenário de horror com vigas expostas e janelas quebradas, cheio de um passado que eu desejava esquecer, mas que agora era minha única esperança.


-Ele está brincando comigo.


resmunguei, a raiva e o desespero se entrelaçando em minha voz, enquanto minha mão se fechava em punho.


-Vamos lá agora. Se ele quer me ver, eu vou, armadilha ou não.


Enquanto nos dirigíamos ao local, cada mensagem de Seokjin do hospital ou de Hoseok, cujas palavras apareciam no meu telefone como flashes de luz, aumentava a tensão. Com um esquadrão de elite ao nosso lado, o plano parecia mais um salto no abismo do que uma estratégia.


Ao chegar, o salão parecia um túmulo aberto, o silêncio tão denso que quase podia ser tocado. A porta, que uma vez se abriu para nosso futuro, agora rangia como um portão do inferno, o som das dobradiças enferrujadas ecoando no vazio. Dentro, a escuridão era quebrada por velas, suas chamas lançando sombras distorcidas nas paredes cobertas de mofo, como espectros prontos para atacar.


De repente, uma mão me puxou para trás, uma força invisível tentando me arrastar para o desespero. Antes que eu pudesse reagir, Kinn e Porsche já estavam com armas apontadas para a escuridão, seus homens se espalhando como sombras, cada um com uma expressão de determinação gravada em seus rostos.

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