Era uma vez, um belo pássaro azul, ele voava pelo céu com uma cor tão vibrante que ofuscava qualquer outro pássaro. O seu cantarolar tão elegante que nenhum outro se atrevia a tentar se comparar, e seu bico, tão pontiagudo que poderia perfurar até a rocha mais grossa.
Deparando-se todos os dias com tal cena impressionante, o pequeno passarinho não pode conter sua frustração.
"Oh grande pássaro mãe, porque não me fizeste assim tão belo e reluzente como ele?Eu Imploro para que me olhem assim como olham pra ele!Por que tive de nascer invisível, escondido na sombra de meu irmão?"
"Meu filho, devo lhe confessar, é verdade que teu irmã brilha mais do que qualquer outro pássaro, mas estás enganado ao dizer que és invisível. A os meus olhos, todos são tão belos como o sol da manhã"
"Mas então pássaro mãe, se admites isso por que não me deixas brilhar como ele? Não adianta apenas a senhora me ver; eu desejo ser tão brilhante quanto ele, mais que tudo em minha vida"
"Se é isso que queres irei te conceder, mas tem certeza que seu maior anseio é brilhar como nenhum outro pássaro?"
"É o que eu mais anseio em minha vida!"
"Está certo, então, a partir de hoje, você é o pássaro mais brilhante desse jardim"
Como mágica, pássaro mãe concede esse desejo ao pequeno pássaro marrom, que agora era azul como o céu, e então no dia seguinte, era ele quem brilhava mais que qualquer um.
O outrora pequeno passarinho, se gabou com felicidade:
"Agora sou eu quem mais brilha."
Com orgulho próprio, seguiu voando e cantarolando todos os dias. Mas com o passar do tempo pôde perceber o, antigo, belo pássaro azul parecia feliz, sorrindo como nunca havia feito antes. Confuso, o pequeno pássaro tentou aproximar-se para perguntar o motivo de tal felicidade, mesmo após deixar de ser o mais belo. Porém, quando tentou chegar mais perto dos passarinhos que ali se encontravam rindo e conversando, eles puseram suas asas em frente ao olhos e saíram às pressas.
O pequeno passarinho não podia entender, ainda. Sem perceber ele era observado com um olhar distante e preocupado do pássaro azul.
Um tempo se passou — o suficiente para que o pequeno pássaro finalmente pudesse entender que oque tanto ansiava não era um sonho perfeito. E então outro dia se iniciou, e...
Era uma vez, um belo pássaro azul, ele voava pelo céu com uma cor tão vibrante que impedia qualquer um de se aproximar; seu cantarolar tão elegante que era invejado e ridicularizado; e com um bico tão pontiagudo fazia os demais pássaros morrerem de medo.
O pequeno pássaro, agora belo e azul, já não podia se lembrar mais da sensação de estar com as pessoas que ama. Sem nenhum apoio, e sem objetivos, ele só podia continuar voando e brilhando.
Até que um dia, ele se deparou com uma poça — uma poça tão clara que refletia o sol cegando-o. Então percebeu que, depois de muito tempo, finalmente encontrou algo que brilhasse mais que ele.
O pequeno pássaro sorriu, mas não havia ninguém lá, para o ver, agora, menos brilhante. E ao em vez de lembra-se de todo amor que sua família e amigos já lhe deram, só pensou na solidão que sentia quando todos paravam ao ver o brilho de seu irmão cortando o céu, enquanto ele não conseguia brilhar nem mesmo na escuridão.
"Seria então melhor brilhar mais que qualquer outro para que ao menos me notem em vez de apagar-me até ser completamente invisível?"
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"Eu desejo brilhar mais, eu tenho que brilhar mais, mais que qualquer outra coisa nesse mundo!"
E então perdido nesse desejo enlouquecedor, o pequeno pássaro lutou bravamente para brilhar e assim ofuscar qualquer um que tentasse alcançá-lo.
Até que um dia ele percebeu que, no fim, apenas ofuscou a si mesmo.
