NARRADOR
Frédéric algemou Tyler e o levou até o carro, enquanto eu e as meninas ficamos ali, ainda processando tudo que Tyler tinha dito. O clima estava pesado, e a tensão era palpável.
-— Eu não acredito que isso está acontecendo! -— S/n exclamou, seus olhos arregalados de desespero. —- Eu acabei com a vida do Tyler! Tudo isso por causa de uma corrida que aconteceu há sete anos!
Ela começou a andar em círculos, passando as mãos pelos cabelos como se estivesse tentando desfazer um nó impossível.
-— Era só uma corrida! Eu nunca pensei que o pai fosse tão escroto —- A voz dela aumentou em desespero. -— Agora ele está preso por minha causa... Isso é tudo culpa minha!
As outras meninas tentaram acalmá-la, mas S/n estava em um estado de choque.
— E se ele for condenado? E se eu for responsabilizada por tudo isso? — Ela gritou, lágrimas escorrendo pelo rosto.
— S/n, respira! —- Jenna disse, segurando os ombros dela. —- Você não sabia que isso ia acontecer. Isso não é sua culpa!
-— Mas eu ganhei aquela corrida de forma tão arrogante! —- S/n continuou, ignorando os conselhos. -— Eu ri da cara dele, eu o humilhei na frente de todo mundo! E agora... agora ele está pagando um preço que eu nunca imaginei que viria!
As meninas tentaram manter S/n calma, fazendo o possível para que ela não surtasse ainda mais. A situação estava tão tensa que a atmosfera parecia prestes a explodir a qualquer momento. Mas, de repente, o silêncio foi quebrado por um eco distante que fez seus corações dispararem.
—- O que foi isso? —- Jenna perguntou, olhando ao redor com medo.
Antes que pudessem responder, ouviram um tiro. O som reverberou na noite, e um frio na barriga às fez correr em direção ao carro.
Quando chegaram lá, encontraram Frédéric encostado no carro, com a boca sangrando. Ele parecia atordoado e confuso.
—- Frédéric! O que aconteceu? -— perguntou Zoe apressada, enquanto as meninas se aproximavam dele.
Ele levantou a cabeça lentamente e disse com dificuldade:
-— O Tyler... ele me deu um soco e fugiu. Eu não consegui ir atrás.
S/n ficou pálida ao ouvir isso e suas mãos tremiam. Mas algo na expressão de Frédéric me deixou desconfiada. Zoe também parecia perceber algo errado.
-— Espera aí... —- Jenna disse, cruzando os braços. —- Você está dizendo que ele te agrediu? E saiu correndo.
Frédéric hesitou por um momento, mas logo tentou manter a compostura.
-— É... eu não consegui segurar ele. Ele me pegou desprevenido —- respondeu ele, limpando o sangue da boca com o punho.
Zoe estreitou os olhos, claramente cética em relação à história dele. Nós todas sabíamos que Frédéric tinha uma tendência a exagerar as coisas quando estava em apuros. Algo não parecia certo.
Mas antes que pudéssemos questioná-lo mais a fundo, S/n tomou a frente novamente, seu olhar fixo em Frédéric.
—- Toma cuidado seu idiota, tá querendo morrer?
Frédéric desviou o olhar, parecendo envergonhado.
Zoe decidiu não dizer nada sobre suas suspeitas de que ele tinha deixado Tyler ir embora para evitar problemas maiores. Em vez disso, ela deu um passo à frente e tentou acalmar S/n novamente.
-— Precisamos pensar em como vamos encontrar o Tyler agora. Não podemos deixá-lo sozinho após tudo isso!
-— Não! —- olharam pro homem — quero dizer, a policial local já está ciente da situação, eles vão procurá-lo. Precisamos ir pra base do FBI pros agentes falarem com vocês.
Todos concordaram e entraram no carro rapidamente pois começou a cair gotas de chuva.
[....]
A noite estava pesada, e a chuva caía em torrentes, criando um cenário sombrio que refletia a tensão entre os irmãos. Frédéric estava dirigindo em direção à base do FBI, mas o silêncio no carro era opressivo. S/n, olhando pela janela, sentiu uma onda de desespero crescendo dentro de si.
— Eu quero ir para casa —- ela disse finalmente, quebrando o silêncio.
Frédéric franziu a testa, surpreso com a insistência dela.
—- S/n, é melhor você ficar, precisamos ir pra agência — Ele tentava manter a calma, mas sua voz transparecia preocupação.
— Eu não me importo! — S/n respondeu, virando-se para encará-lo com uma intensidade que fez o coração dele apertar. —- Eu só quero ir para casa!
Zoe e Jenna trocavam olhares nervosos no banco de trás, sentindo a tensão crescente entre os irmãos. Frédéric estava começando a perder a paciência.
— Você não entende! — ele disse, elevando um pouco a voz. — Se você for embora sozinha agora, pode se colocar em perigo! Sua besta.
— E você acha que me prender aqui vai resolver tudo? —- S/n rebateu, seu tom de voz cada vez mais agudo. —- Eu não sou uma criança!
A discussão esquentava rapidamente e as palavras começaram a sair como flechas.
— Eu sei me cuidar Frédéric —- disse ela com firmeza.
— Você é uma inútil! — Frédéric disparou sem pensar. O impacto da frase ficou pairando no ar como um trovão após um raio. —- Não consegue se manter segura, sabe disso melhor que qualquer um.
S/n ficou em choque, seu rosto palidamente iluminado pelas luzes do carro. Ela se calou, as palavras dele ecoando em sua mente como um eco cruel.
— Se não fosse por você, nossos pais estariam vivos! —- ele continuou, sua frustração transbordando.
O carro parou abruptamente na estrada escorregadia e S/n não conseguiu conter as lágrimas que agora escorriam pelo seu rosto. A chuva misturava-se à sua dor, tornando tudo ainda mais angustiante.
— Frédéric... eu... — ela tentou responder, mas as palavras falharam.
Sem esperar mais nada dele, S/n abriu a porta e saiu do carro, enfrentando a tempestade. A chuva batia forte em seu corpo enquanto ela começava a andar em direção à sua casa, que parecia tão distante e inatingível naquele momento.
Frédéric saiu do carro também, arrependido por ter deixado as emoções falarem mais alto do que ele pretendia. Ele viu S/n caminhando lentamente sob a chuva e sentiu uma dor profunda no peito.
-— Espera! —- ele gritou atrás dela.
S/n parou e se virou lentamente para encará-lo novamente. Seus olhos estavam cheios de tristeza e raiva.
-— Eu sei que eles morreram por minha causa, Frédéric! —- ela falou com uma voz trêmula e firme ao mesmo tempo. —- Eu não durmo! Eu não consigo simplesmente colocar a cabeça no travesseiro e ter uma boa noite de sono como você faz!
Ela respirou fundo antes de continuar:
— Eu carrego essa culpa há anos! Anos!! Essa dor que carrego nunca vai morrer enquanto eu estiver respirando!
Frédéric ficou sem palavras. O peso das revelações dela o atingiu como uma onda avassaladora. Ele queria confortá-la, mas sabia que suas palavras tinham causado um dano irreparável naquele momento.
-— Você acha que é fácil lidar com isso, sem ter alguém pra conversar, sem ter apoio ou empatia de alguém? Você tem a sua família, Frédéric; eu não tenho ninguém com quem realmente posso me abrir e desabafar, sem que a mídia saiba. Naquele dia, uma parte de mim morreu junto com eles... E você foi embora quando eu mais precisei de você.
S/n virou-se novamente e começou a andar em direção à sua casa com passos firmes e decididos. A chuva continuava caindo sobre ela como se o céu estivesse chorando junto.
Com o coração pesado de arrependimento e impotência, Frédéric entrou no carro novamente, sentindo-se incapaz de fazer algo mais naquela situação desgastante. Ele ligou o motor e dirigiu em direção à base do FBI com os pensamentos confusos.
Enquanto dirigia sob a tempestade, cada gota de chuva parecia refletir a dor que ele havia causado à irmã.
Continua...
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the runner [Jenna/ S/n]
Fanfiction1- não vai ter hot (talvez) 2- vai rolar muita coisa
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