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Para minha eu de amanhã, que (in)felizmente ainda acredita que o amor para ela ainda vai existir em algum momento. Talvez escrever console um pouco meu coração que insiste em amar!

✨🎂

Quando você entra na casa dos 20, tudo parece correr e você estagnar no primeiro lugar, de repente pessoas da mesma idade que a sua estão casando, adquirindo sua primeira casa, tendo o segundo filho ou comemorando bodas de prata no Egito, enquanto sua comemoração é colocar a leitura em dia ou dormir às tal 8h por noite.

Atualmente me encontro nesse limbo de comparação e negação, me comparo constantemente com a vida alheia e em seguida nego que preciso de terapia e qualquer coisa além de um livro de romance que me leve até o mais profundo amor escrito naquelas páginas.

Porém, lá no fundo ainda há um eu que não compreende o vazio que surge vez ou outra, quando nem mesmo um livro consegue me tirar do desconforto de estar sozinha.

Na véspera do meu aniversário, eu não consigo fazer nada além de batucar um lápis sobre a mesa de estudos, enquanto encaro o pôster de um grupo de cantores que acompanho desde os 16 anos. A noite estava chuvosa, e não havia interesse pelos livros daquela vez, a TV não tinha nada de interessante e minha assinatura no aplicativo de música havia expirada, pela primeira vez, meu aniversário não estava sendo uma data tão aguardada por mim.

Mas havia uma parte de mim que esperava pela tal data, esperava que alguma novidade chegasse até meus ouvidos ou que o dia simplesmente fosse surpreendentemente bom. Ou talvez esse algo, fosse um alguém...

Uma pessoa que mexia com meu coração, alguém que me deixava incerta sobre seus sentimentos, mas causavam borboletas no estômago. Meus olhos estavam pesados, o dia de trabalho havia sido exaustivo e tudo que eu precisava era de uma boa noite de sono. Deixei meu telefone ao lado da cama, ousando ligar a tela quando uma única notificação tocou.

"Posso te encontrar amanhã antes das 20h, antes que todo mundo chegue?"

Todo sono sumiu de meu corpo. Era sempre daquela forma, bastava uma única mensagem dele e meu coração acelerava. Ler um romance causa borboletas no estômago, mas vivenciar 10% dele fora dos livros, causa uma guerra de borboletas no seu estômago.

Quem havia me mandado mensagem se chamava Lian, o rapaz que conheci por acaso, em um blog que unia livros e jogos, um comentário sobre a história de um jogo rendeu uma conversa online de meses, que rendeu um único encontro até hoje, um encontro divertido onde ele jurou que haveriam outros.

Apesar de muitas vezes eu sentir que havia algo, havia outras que eu me sentia em um amor unilateral, e aquilo já vinha me enlouquecendo. Nosso primeiro e único encontro havia sido muito bom para mim, e pensei que havia sido o mesmo para ele, foi o que ele disse, mas desde então tudo que temos é conversas diárias, troca de figurinhas e assuntos aleatórios, pelo menos até aquele momento.

"Claro!"

Imersa nos meus pensamentos, eu fui levada pelo sono...

Meu aniversário havia caído na quinta, e apesar do cansaço, marquei com alguns amigos de comemorarmos e por bondade de Deus, meu chefe permitiu que eu saísse 1h mais cedo. Eu corri para casa, tomei banho e comecei a me arrumar, mesmo sem ter ideia do que iria vestir.

No fim, após muita indecisão eu consegui combinar uma blusa vermelha, com uma saia preta, por cima de uma meia calca e uma botinha, ousei fazer alguns cachos no meu cabelo e apostar no batom vermelho, desistindo em seguida e passando um batom mais claro.

Eu estava pronta para ir até a porta chamar um motorista de aplicativo, quando me deparei com ele, encostado no carro enquanto mexia no telefone. Ele estava usando uma camiseta preta por baixo de uma jaqueta na mesma cor, usava uma calça cargo bege e tênis brancos, parecendo ser a primeira vez sendo usados. Ele arregalou os olhos ao me ver, mas sorriu em seguida enquanto caminhava até mim, enfiou as mãos no bolso e parou à minha frente.

Eu imaginei todas as palavras que poderiam sair de seus lábios, frases longas ou curtas, um sorriso ou um suspiro, um olhar direto em meus olhos ou em qualquer lugar longe deles, pensei que talvez ele colocasse meu cabelo atrás da orelha e me beijasse, pensei muitas coisas, imaginei muito, imaginei tudo isso e mantive em meus pensamentos, até porque sua mensagem alguns minutos antes de eu estar realmente pronta, fizeram com que imaginar doesse mais do que eu imaginava.

"Precisei viajar a trabalho, não vou conseguir te encontrar hoje..."

E de todas as vezes pensei que compreender ele sempre estar ocupado fosse algo gentil da minha parte, mas aquilo estava me destruindo, aquele amor que eu não compreendia, mas sentia...

Antes de ser gentil com os outros, eu deveria ser gentil comigo mesma...

Mesmo que doesse!

One-Shot _ KPOPHistórias para pegar e não largar. Descubra agora