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NO JATO PARTICULAR DE GUILHERME | 01h07 da manhã


GUILHERME ON

O silêncio na cabine era pesado. Apenas o som constante dos motores preenchia o ar. Miany estava deitada em uma poltrona reclinada, conectada a aparelhos básicos trazidos pelo médico da equipe, Dr. Falcão. Eu não desgrudava dela, segurando sua mão com força.

DR. FALCÃO : A substância que usaram nela foi uma mistura de benzodiazepínicos e cetamina - ajeitou os óculos, observando os sinais vitais - algo potente, mas não letal, usado pra sedação rápida. Ela vai acordar... mas pode ter desorientação, náusea, talvez lapsos de memória momentâneos. Precisa de descanso.

GUILHERME : Ela vai ficar bem? Eu quero a verdade - digo encarando o médico, com a voz grave

DR. FALCÃO : Sim, fisicamente ela não corre risco - respirou fundo - o maior problema é o trauma psicológico.

MAYA : Mas depois de ontem, e agora isso... ela pode quebrar por dentro - abaixo a cabeça, passo a mão pelo rosto, e depois encaro novamente a Miany desacordada

GUILHERME : Quebrar não é opção. Não pra ela. Se tentarem de novo, eu juro... vai chover sangue.

BRYAN : Chefe, sangue já tá chovendo. - disse sentado um pouco mais atrás - eles começaram uma guerra.

De repente, Miany se mexeu levemente, os olhos abrindo devagar. A visão turva encontrou com meus olhos

MIANY : Gui... onde... onde a gente tá? - diz com a voz fraca

GUILHERME : Estamos seguros, pequena - me inclino, segurando seu rosto com as duas mãos - estamos no jato. Eu te tirei de lá. Você tá comigo, e ninguém vai te tocar de novo.

MIANY : Eu senti... - ela piscou, e as lágrimas foram se formando - eu achei que... não ia mais ver você.

GUILHERME : Não fala isso - apertei ainda mais a mão dela - Eu cheguei a tempo, e sempre vou chegar. Se eu tiver que atravessar o inferno pra te trazer de volta, eu atravesso - ela respirou fundo, com a voz embargada

MIANY : Eu tô com medo, Gui. Eles não vão parar...

GUILHERME : Que venham - a interrompi, firme - Eu vou caçar cada um deles.

Q.D.T

CABINE DE REUNIÕES NO JATO |
01h30 da manhã


Depois de deixar Miany descansar novamente, me reuni com Noah, Bryan, Luck, Maya e Lyan em uma pequena sala no jato. Sobre a mesa havia laptops, mapas digitais de Las Vegas e relatórios da inteligência da equipe.

NOAH : Interceptei as comunicações dos caras que tentaram levar a Miany - diz abrindo o notebook - Eles usaram a frequência da rede do Marlon, codificada, mas consegui decifrar um trecho. Eles tão em Vegas. Não foi um ataque isolado. Isso foi só o primeiro movimento.

BRYAN : Filhos da puta! - disse irritado, socou a mesa - Eles tiveram a audácia de atacar em território americano, em uma festa cheia de testemunhas. Isso não é só sobre a Miany, é sobre desafiar a ti, Gui.

GUILHERME : Exato - digo frio e calculista - Marlon está mandando uma mensagem: achando que eu não sou intocável fora do Canadá. Ele quer me expor. Quer que eu sangre em público.

LYAN : Então a gente vai deixar ele achar que conseguiu? - dizia inquieto e me levanto, caminhando até a janela do observando a escuridão da noite

GUILHERME : Não! A gente vai mostrar pra ele que Las Vegas foi o maior erro da vida dele - me viro com um olhar confiante - Noah, quero rastrear todos os pontos de influência do Marlon e do Brayden aqui em Vegas. Cassinos, hotéis, informantes, qualquer rato que se esconda na cidade. Bryan, você vai coordenar com a nossa célula local. Eu quero armas, carros e rotas seguras em duas horas. Luck, Maya e Lyan reforçam a segurança da Agnes e da Miany. Nada, absolutamente nada, pode acontecer com elas.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐗Ã𝐎 𝐃𝐄 𝐌Á𝐅𝐈𝐀Onde histórias criam vida. Descubra agora