— Espero que tenha gostado. — Disse, terminando de desenhar a última flor de sakura. — Eu fiz com muito carinho, e realmente acho que ficou bom. Agora... Esse lugar parece mais alegre. — Sorri. — Vou deixar minhas tintas aqui, pois voltarei logo e aí irei pintar mais flores pra você. — Deixei minhas tintas e pincéis ao lado de um buque de lírios, parcialmente escondidos. — Até lá... Fique com isso. — Entreguei uma rosa vermelha à Jennie. — Sabe, eu sei que você ama Sakuras, mas... As rosas simbolizam o amor, e você sabe que eu te amo, não é, Jennie?
Levantei-me do gramado sentindo minhas costas doerem pelo tempo que fiquei inclinada, pintando as tão amadas flores de Jennie. Bati em minha roupa algumas vezes, desfazendo-me das folhas secas e da terra que grudara em meus joelhos.
Enquanto fazia meu caminho até o parque, eu me permiti divagar em pensamentos. Aos poucos a chuva engrossava, e as pessoas recolhiam-se para suas casas. Percebi que, em poucos minutos, eu era a única pessoa a andar pelas ruas molhadas de Seul.
É incrível a forma como tudo me lembra Jennie. Sua essência está presente em tudo o que eu faço. É como se ela ainda estivesse comigo, é como se eu pudesse ouvi-la rindo, como se eu pudesse vê-la, senti-la...
Cheguei ao parque completamente molhada, mas não me importei com isso, afinal, a chuva não está fria e... Ela me traz ótimas lembranças. Avistei a nossa Sakura, e ela continua linda como sempre... Sentei-me abaixo da árvore rosada, novamente sentindo aquela sensação de conforto que apenas Jennie me proporcionava.
— Sabe, Jennie... Eu sinto a sua falta. — Disse, brincando com algumas flores que haviam caído da árvore. — Mesmo depois de dois anos da sua morte eu continuo vindo aqui e esse sentimento parece cada vez mais forte... Eu te amo tanto... — Confessei, sentindo as lágrimas descerem por minhas bochechas, misturando-se com as gotículas de água. — Dois longos e dolorosos anos, Jennie, e eu te amo cada vez mais.
Encolhi-me contra a árvore, escondendo minha cabeça entre meus joelhos. As lágrimas que antes escorriam em lentamente, agora escorriam incessantes e rápidas, acompanhadas por soluços copiosos. Chamei por Jennie diversas vezes, sentindo a dor se alastrar novamente por meu peito.
De súbito, uma sensação calorosa tomou conta de mim. Eu parei de chorar quase que imediatamente, respirando pesadamente. Eu sentia a sua presença novamente, como se estivesse ao meu lado. Seu calor, seu cheiro, sua essência... Era Jennie.
Um arrepio gostoso percorreu meu corpo, e então eu sorri. Sorri por que eu sabia que não havia motivos pra chorar. Onde quer que você estivesse, eu sabia que estaria olhando por mim. Mesmo que não estivesse ao meu lado, mesmo que eu não pudesse tocá-la, eu podia sentir você, e era tudo o que eu precisava até o momento em que nos reencontrássemos novamente.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.