Emanuela Narrando:
Hoje é a festa dos acionistas. Escolhi uma roupa social elegante, fiz um penteado apropriado e uma maquiagem leve, mas marcante. Ao me olhar no espelho, quase não me reconheci; eu estava pronta. Antes de descer, passei no quarto do Albert para ver se ele precisava de ajuda. O Sr. Tomás prometeu pagar horas extras e ajudar com minhas despesas, o que seria um grande alívio para mim e para o Álvaro.
19:30 Os convidados começaram a chegar. O ambiente era repleto de pessoas educadas trocando cumprimentos formais. De repente, uma mulher elegante se aproximou com um sorriso caloroso. Era a irmã do Tomás.
— Você deve ser a Manu, a babá do pequeno Albert! — disse ela, animada.
— Sim, sou eu. — O pequeno falou muito de você! Estava ansiosa para te conhecer. Ele me contou o que você está fazendo por ele... mas pode deixar que eu guardo o nosso segredo. Meu nome é Beatriz, mas pode me chamar de Bia.
— Prazer, Bia! — Dei um pequeno sorriso, sentindo um alívio por ter uma aliada naquela casa.
A música começou a tocar. Todos dançavam, enquanto eu permanecia sentada ao lado do Albert. Foi quando um rapaz de aproximadamente 25 anos se aproximou.
— Me concede esta dança? — perguntou ele. Aceitei, pedindo ao Albert para ficar quietinho por um momento. O nome dele era Rafael. Enquanto dançávamos, notei que ele me olhava de um jeito diferente, mais intenso.
— Você está linda, Emanuela — ele elogiou.
— Obrigada, Rafael. Você também está muito bonito — respondi por educação.
A música era a minha favorita, mas a festa parecia não ter fim. O sono começou a pesar para mim e para o Albert; já havia passado da hora de uma criança estar na cama.
Tomás Narrando:
Foi um longo dia. O cansaço pesava em meus ombros, mas a festa era uma obrigação necessária. Enquanto observava os convidados, meus olhos pararam na Emanuela. Ela estava deslumbrante naquela roupa, com uma luz que eu não tinha notado antes. Não me aproximei, mas quando vi o Rafael tirando-a para dançar, algo estranho me atingiu. Confesso que não gostei nada daquela cena, embora não soubesse explicar o porquê.
Até que, enfim, a festa acabou. Percebi que Emanuela se preparava para ir embora sozinha e, como estava muito tarde, insisti em levá-la. Durante o trajeto, o silêncio reinava no carro. Ao estacionar em frente à casa dela, quebrei o gelo:
— Está entregue.
— Obrigada, senhor. — Não precisa me chamar de senhor. Me chame apenas de Tom — pedi, e nem eu mesmo entendi por que queria tanta proximidade.
— Está bom... Tom.
Desci do carro e, em um gesto de cavalheirismo, abri a porta para ela. Foi quando vi que alguém a esperava no portão. Um homem.
— Por que demorou tanto, Manu? Estava preocupado com você! — disse ele, com uma intimidade que me incomodou. Ela o abraçou com carinho.
— Não precisa se preocupar — ela respondeu, sorrindo para ele.
— Boa noite — o homem disse, me encarando.
— Boa noite — respondi secamente.
Esperei que ela entrasse em segurança antes de dar a partida. "Quem será ele?", me perguntei durante todo o caminho de volta, sentindo um incômodo que eu preferia chamar de cansaço, mas que no fundo, eu sabia que tinha outro nome.
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Uma babá incrível
RomanceAos 23 anos, Emanuela Medeiros conhece o peso da responsabilidade cedo demais. Após a perda dos pais, sua prioridade absoluta é o futuro do irmão de 17 anos. Determinada a dar a ele a oportunidade de uma faculdade, ela deixa tudo para trás e aceita...
