Um aspecto crucial do meu trabalho é encontrar uma linguagem que expresse com precisão os dados
obtidos e também seja profundamente compreendida pelos participantes da pesquisa. Quando as
pessoas ouvem ou leem a frase Nunca ser __________ o bastante, levam apenas alguns segundos
para começarem a preencher as lacunas:
1. Nunca ser bom o bastante.
2. Nunca ser perfeito o bastante.
3. Nunca ser magro o bastante.
4. Nunca ser poderoso o bastante.
5. Nunca ser bem-sucedido o bastante.
6. Nunca ser inteligente o bastante.
7. Nunca ser correto o bastante.
8. Nunca ser seguro o bastante.
9. Nunca ser extraordinário o bastante.
Uma de minhas autoras favoritas sobre escassez é Lynne Twist, ativista global e arrecadadora de
fundos sociais. Em seu livro e Soul of Money (A alma do dinheiro), ela se refere à escassez como
“a grande mentira”. Lynne escreve:
Para mim e para muitos de nós, o primeiro pensamento do dia, ainda na cama, é: “Não
dormi o suficiente.” O seguinte é: “Não tenho tempo suficiente.” Esse pensamento de não
suficiência vem a nós automaticamente, antes mesmo de podermos nos dar conta de sua
presença ou examiná-lo. Passamos a maior parte de nossas vidas ouvindo, explicando,
reclamando ou nos preocupando com o que não temos em quantidade ou grau suficiente. (...)
Antes de nos sentarmos na cama, antes de nossos pés tocarem o chão, já nos sentimos inadequados, já ficamos para trás, já perdemos, já damos falta de alguma coisa. E quando
voltamos para a cama à noite, nossa mente recita uma ladainha de coisas que não conseguimos ou não fizemos naquele dia. Vamos dormir com o peso desses pensamentos e
despertamos para lamentar mais faltas. (...) Essa situação interna de escassez, essa tendência
mental à escassez, habita no âmago do ciúme, da cobiça, do preconceito e de nossas interações
com a vida.
A escassez, portanto, é o problema de nunca ser ou ter o bastante. Ela triunfa em uma sociedade
onde todos estão hiperconscientes da falta. Tudo, de segurança e amor até dinheiro e recursos, passa
por uma sensação de inadequação ou falta. Gastamos uma enormidade de tempo calculando quanto
temos, não temos, queremos ou poderemos ter, e quanto todos os outros têm, precisam e querem ter.
O que torna essa avaliação constante tão desoladora é que, quase sempre, comparamos nossa
vida, nosso casamento, nossa família e nosso trabalho com a visão de perfeição inatingível
propagada pela mídia, ou então comparamos nossa realidade com a visão ficcional de quanto
alguém próximo de nós já conquistou.
A nostalgia do passado também é uma forma perigosa de comparação. Repare com que
frequência você compara a sua vida atual com uma lembrança de bem-estar que a nostalgia editou
em sua mente, mas que nunca existiu de verdade: “Lembra-se de quando...? Ah, bons tempos!”
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A Coragem de ser Imperfeito
RandomVulnerabilidade não é fraqueza; e a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos todos os dias não são opcionais. Nossa única escolha tem a ver com o compromisso. A vontade de assumir os riscos e de se comprometer com a nossa vulnera...