Capítulo Três

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Olivia

Desde que eu tinha voltado da Casa não me sentia mais perdida aqui em Portland. Não era algo que eu conseguia explicar porque sabia que não tinha a ver com aquele lugar e muito menos com as pessoas de lá.

A única coisa que ainda me incomodava eram os "porques" pairando na minha mente, os medos que ainda estavam em meu coração e a paz que ainda estava longe de mim. Isso não era bom, não mesmo, eu queria, sinceramente, conseguir entender tudo de uma vez por todas. 

Olhei para o despertador e estava quase na hora de trabalhar. Levantei, tomei um banho e decidi que tentaria de verdade deixar hoje todo esse peso que carregava comigo em casa.

Assim que sai do banheiro meu telefone tocou. Vi que era minha avó e dei um baita sorriso ao atender.

— Oi, minha filha! Estou com saudades. Como está tudo por aí, Olivia? – perguntou minha avó.

— Que saudades, vovó! Me desculpe por não ter ligado mais, ando tão sem tempo que fica difícil organizar tudo. Eu estou bem, encontrei uma igreja no domingo, hoje inclusive vou encontrar parte do pessoal. Como a senhora está? As coisas no Rio estão bem? – perguntei.

— Que bom, minha filha, que achou uma igreja e que está se enturmando. Seus tios perguntam bastante por você e um amigo seu veio aqui. Acho que três dias atrás. Parece que ele não sabia que iria se mudar. Ele ficou transtornado.

— Amigo? Que amigo que não sabia que eu iria me mudar?

Todo mundo foi se despedir de mim antes que eu viesse para cá. Falei com meus pastores e meus tios sabiam. Dessa forma, não tinha ninguém que eu não tivesse avisado. Exceto uma pessoa. Mas não era possível. Não mesmo. Ou era?!

— Aquele seu namoradinho, Olivia, ele veio aqui todo sorridente, com flores e quando eu disse que tinha se mudado o coitadinho chorou compulsivamente. – ao ouvir isso meu mundo veio ao chão.

— O Rodri... Rodri... Rodrigo, vó? – perguntei bem baixinho.

— Isso, Olivia, ele mesmo! Por que você não falou para ele? Ele parece gostar de você, muito por sinal.

— É complicado explicar, ainda mais por ligação. Ele foi embora sem dizer nada? – eu quis saber.

— Ele deixou um número e disse para que você ligasse quando se sentisse bem para conversar. Olivia, ele disse que sentia muito, nunca quis te magoar e nem fazer o que fez. – falou minha avó.

— Eu sinceramente não sei o que te dizer, vó. Desculpa ter feito a senhora passar por isso, por toda essa confusão.

      — Minha filha, você está bem mesmo? Parece que essa notícia mexeu com você mais do que eu imaginava. – senti a preocupação na voz dela ao perguntar isso.

Olhei para o relógio e precisava desligar se não me atrasaria.

— Estou vó, fique tranquila. Eu só não esperava que isso fosse acontecer. Preciso ir, tá bom?! Senão vou me atrasar para o trabalho. Eu te ligo no final de semana, prometo. Amo a senhora. - respondi me despedindo.

— Tudo bem, filha. Se cuida, viu? Qualquer coisa saiba que sua avó está aqui. Logo o dinheiro vai cair na sua conta. Amo você, Olivia.

Ao desligar o telefone não sabia se conseguiria ficar de pé sem ter algo para me equilibrar. Eu achei que tinha deixado o Rodrigo no passado, assim como tudo que vivemos, porém pelo jeito não.

Eu sabia que não guardava rancor ou mágoa, mas ainda era difícil. Antes de minha mãe morrer ele começou a mudar muito e eu não sabia o que fazer para não perdê-lo. Quando minha mãe se foi, tive apenas uma saída. Só que depois que a escolhi arruinei toda a minha vida, minhas expectativas e principalmente meu relacionamento, não só com Rodrigo, mas com o único Pai que já havia conhecido.

O modelar do Teu amor | DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora