De alguma forma, nos dias seguintes, parecia que Louise sempre estava no caminho de Manuela. Elas não se conheciam pessoalmente, mas pegavam o mesmo ônibus, estudavam no mesmo horário e se esbarravam uma vez ou outra nos corredores da faculdade. Pouco a pouco Manuela percebeu que gostaria de conhecer melhor Louise, mas não sabia como, tão pouco o porquê.
Manuela estava no primeiro semestre e Louise no terceiro. Louise era o oposto de Manuela. Ela estava sempre cercada de pessoas diferentes, parecia o tempo todo vibrante e aparentemente não tinha medo de assumir seus interesses, uma pessoa livre. Já Manuela, tinha seus amigos cativos, companheiros etiquetados, um grupo definido e ela era a mais fechada do grupo.
Para pessoas como Manuela o acaso era uma necessidade que ela mesmo não sabia que precisava e foi graças (ou não) a ele que ela pode enfim falar com Louise. Em dias de prova ela sempre era a última a sair. Em um desses dias ela pegou o ônibus para voltar para casa e haviam poucas pessoas nele, entre as poucas cadeiras ocupadas Louise estava sentada, sozinha ao lado da janela. Só podia ser o destino, pensou Manuela, afinal dificilmente ela não estava acompanhada. Ela poderia ter sentado em qualquer lugar, mas sentou ao lado de Louise com a esperança de que não precisasse falar nada. Louise estava distraída e não percebeu a aproximação de Manuela. Minutos depois nada havia sido dito. Quando Louise levantou para descer Manuela ficou ansiosa para dizer qualquer coisa, mas não havia nada o que dizer, então ela abaixou a cabeça e deu espaço para que ela passasse.
Um desperdício total de oportunidade, pensou Manuela, mas logo ela pensou que foi melhor desse jeito, afinal poderia ter sido pior. De qualquer forma ela precisa se concentrar em outras coisas e não podia pensar em Louise o tempo todo. No dia seguinte, viu de longe Louise com seus amigos e ficou estranhamente chateada quando percebeu a intimidade que ela tinha com uma das meninas com quem conversava, pensou que também gostaria de ser abraçada por Louise e merecer a alegria de seu sorriso, mas essa sensação não fazia sentido, assim como não fazia sentido tantos pensamentos voltados para uma menina que ela mal conhecia.
Meses se passaram até que ela se acostumasse com a ideia de que era bobagem o que ela estava sentindo. Se ocupou com tantas outras coisas que deixou a vida seguir exatamente como sempre fazia. Mas o acaso não precisa de permissão, nem de ponderação para acontecer e quando mais uma vez encontrou Louise sozinha ao lado da janela do ônibus o inesperado aconteceu.
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Uma Parte de mim
RomantikParte de mim sabe exatamente o que quer para ser feliz. A outra parte sabe que a felicidade não se atinge apenas com o que se quer. Às vezes é necessário abrir mão de certos desejos para encontrar o que realmente precisamos e nem sempre é o que quer...