Ava Sharpe se orgulhava de ser uma mulher de emoções comedidas, muito obrigada. Ela era capaz de fazer recrutas tremerem e gaguejarem como idiotas com um simples olhar, a Agência do Tempo funcionava como uma máquina perfeita sob seus comandos e até mesmo as lendas demonstravam algum senso de ordem, mas isso poderia ser um efeito colateral de namorar Sara Lance.
Mas agora ela se encontrava bem perto de perder a razão, contando e recontando os dias nos dedos trêmulos sem tirar os olhos do calendário; Ava não era do tipo religiosa, não fazia parte da programação clone e ela não teve interesse algum em seguir uma deidade nos últimos meses, mas se havia uma situação ideal para começar era a aquela.
- Por favor, Deus, que eu esteja errada... – murmurou para si mesma – Eu prometo que vou começar a rezar, nunca mais reclamo da higiene do Mick ou da estranheza do Gary. Só... Eu imploro pra estar errada ao menos dessa vez!
Uma batida na porta e a mesma foi aberta revelando Nora parecendo mais feliz do que nunca, a mulher usava um dos ternos padrões da Agência e estava bem longe de ser a antiga e temida Darhk.
- Me chamou? Eu sei que ainda não entreguei o relatório da última missão, mas o Gary disse que o prazo não venceria até o fim da semana.
- Não foi por isso que eu te chamei aqui...
- Ah, que bom! – Nora a interrompeu – Hoje foi um grande dia, pela primeira vez alguém me ofereceu café sem tremer de medo ou me chamar de assassina. Não sei o nome da agente, mas foi muito legal!
- Fico feliz por você – Ava forçou um sorriso.
Ela estava feliz por Nora estar se adaptando, realmente estava, mas é só que a outra coisa a preocupava bastante.
- Tem certeza que está bem para voltar ao trabalho? Você parece pálida e passou os últimos dias vomitando – Nora se aproximou e tocou a testa de Ava – Não está com febre, mas ainda não parece bem.
- Não estou com febre – ela afastou a mão da amiga – É outra coisa.
- E o que é?
Para seu crédito, Nora parecia genuinamente preocupada, mas Ava ainda não podia verbalizar sem que parecesse real demais.
- Estou... Eu estou...
- Está o que, Ava?
- Estou, quero dizer, acho que estou... Ainda não tenho certeza, pelo menos não fui ao médico pra saber – Ava divagou – Não é como se eu pudesse pedir a Gideon para confirmar e estou constrangida demais pra ir a outro médico. Como eu vou explicar isso...?
- Ava! – Nora levantou a voz – Está me deixando preocupada.
- Acho que estou grávida – Ava contou em um fiapo de voz.
Nora riu brevemente, decerto achando que era algum tipo de piada, mas ficou séria quando Ava não riu ou desmentiu a piada.
- Grávida? – Nora gaguejou – Mas eu achei que você e Sara estavam bem. Droga, Ava, você é uma péssima lésbica!
Ava estava ainda mais envergonhada, como se fosse possível, e sentiu o rosto queimar sem saber como explicar; a situação toda já era muito constrangedora.
- Sara e eu estamos bem, muito bem! – Ava gemeu em frustração – Estávamos em uma missão, no futuro, bebemos demais e tinha essa coisa no futuro que encontramos em um sex shop e resolvemos tentar...
- Pausa – Nora apertou o nariz bem entre os olhos – Você está me dizendo que a Sara te engravidou usando um brinquedo sexual do futuro?
- Quando você fala assim, parece loucura.
