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Eu era tudo, menos alguém paciente. Por isso eu achava que alguma divindade estava me testando, me colocando pra correr atrás do meu irmão mais novo logo de manhã cedo. Tudo porque o peste decidiu que mexer nas minhas peças íntimas e colocar uma calcinha minha na cabeça como chapéu seria divertido.

— Mommy, eu vou matar o San!

Gritei em plenos pulmões, arrastando as cadeiras para puxar ele debaixo da mesa.

— Não sei quantas vidas teu irmão tem mas tu dizes isso desde que ele começou a falar e andar, então fique á vontade — continuou de olho na novela depois de dar de ombros.

Abri a boca em incredulidade.

— Sinceramente... VEM AQUI! — me agachei pronta para puxar o pestinha pelo pé quando ele se afastou gatinhando.

Bater a cabeça na mesa ao tentar me levantar foi o que eu precisava para desistir, me deitei no chão ali mesmo e choraminguei em frustração. Eu só queria um dia de paz, sem gritar ou sem ter bagunça. Era pedir demais? Eu não sei quanto tempo fiquei ali mas foi o suficiente para me lembrar de que eu tinha que ir na pousada dos meus pais supervisionar a limpeza de alguns quartos, em seguida me encarregar de fechar o aluguel de alguns clientes e depois voltar para casa a fim de terminar meu trabalho da universidade. E ainda, para fechar com chave de ouro, ter que lidar novamente com meus dois irmãos.

Resmunguei chorosa.

—  Ué... — levantei o rosto a tempo de ver meu irmão do meio me dar uma palmada na bunda. — Decidiu meditar aí?

— Me deixa em paz, praga! Onde está San?

Loki apontou com o queixo meu outro lado e eu virei o rosto, encontrando San com minha calcinha na mão, estendida em minha direção. É claro que ele tinha que ter uma expressão de gato abandonado no rosto.

— Me desculpa — ele fez bico — A mana magoou? Eu ouvi quando bateu a cabeça na madeira.

— Foi engraçado. Eu achei que tinhas sido nocauteada. — o outro gargalhou, entupindo a boca de cereal. — Mas pelos vistos você tá bem, infelizmente.

— Palhaço. — o olhei com tédio, ele gargalhou novamente e mostrou as mãos em rendição, se levantando do chão e saindo dali em direção a cozinha. Com certeza ia assaltar a geleira novamente. — E quanto a você, se aproxime... — voltei a olhar para o mais novo, que veio até mim ainda meio confuso. Esperei ele estar perto o suficiente pra pegá-lo pela cintura e prender no chão, enchendo ele de cócegas por todo o corpo e ouvindo-lhe quase perder o ar com as risadas. — Eu não consigo ficar chateada com você, argh! — beijei seu rosto inúmeras vezes — Não mexe mais nas minhas nas minhas coisas?

— Não prometo...

— Seu peste! — ri, o atacando com cócegas novamente.

— Olha que lindo, se reconciliando — óbvio, meu pai só aparecia quando já não havia ninguém parecendo cão e gato. — Qual foi o motivo dessa vez?

— San decidiu experimentar as calcinhas da Juddy — isso foi Loki explicando.

Eu prendi uma risada com a cara de pavor e certa confusão do meu pai, o que não aconteceu com minha mãe que explodiu numa gargalhada pra lá de alta.

— Okay, eu decido não falar disso. — o anfitrião da casa pegou as chaves do carro e olhou para mim. — Já comeu, princesinha?

Sim, eu tinha dezanove anos e ainda era a princesinha do meu pai.

— Obviamente, sim.

— Levanta, vamos juntos a pousada — saí de baixo da mesa e me apressei em colocar meu tênis, pegando meu celular e minha mochila antes de correr pra fora de casa. Não sem antes me despedir da minha mãe com um beijinho na testa e dos meus irmãos com tapinhas na bunda. — Temos que resolver o caso dos dois chineses que foram encontrados na praia do nosso resort.

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