Escrevo para o que observa em silêncio.
Para o que permanece parado tempo demais, analisando, esperando.

Minhas histórias habitam o limite instável entre o real e o delírio. Não explicam - insinuam. Não conduzem - deixam que o leitor avance sozinho, consciente de que algo o acompanha. O desconforto não é acidente. É método.

Aqui, o escuro não serve como metáfora. Ele é presença. Ele assiste.
O silêncio não é pausa - é linguagem.

Escrevo narrativas onde o estranho não se anuncia, apenas se instala. Onde o cotidiano se torna suspeito aos poucos. Onde a sensação de estar sendo observado não vem de fora, mas de dentro. O terror não grita. Ele espera.

Não ofereço segurança, nem respostas claras. Prefiro perguntas que se acumulam, imagens que retornam quando não são chamadas, pensamentos que se recusam a ir embora. O medo que me interessa é o que se infiltra devagar - aquele que o leitor só percebe quando já é tarde demais.

Tudo o que está aqui nasce da minha escrita.
Do meu olhar.
Do meu ritmo.
Do meu silêncio.

Não reproduzo fórmulas, não suavizo temas, não explico demais. Minhas histórias carregam uma marca invisível: quem lê sente, mesmo sem saber nomear. Uma estranheza específica. Um desconforto que não passa rápido. Um eco.

Se você entrou esperando conforto, talvez devesse sair agora.
Mas se sentiu aquele leve incômodo - como se algo estivesse errado, ou como se estivesse sendo observado através da tela - então já entendeu o suficiente. Leia devagar. Leia com atenção. Algumas histórias mordem.
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AlmaCondenada AlmaCondenada Aug 17, 2025 07:35PM
O quão longe vai a desconsideração?Eu queria entender o que passa na mente de uma pessoa que menospreza a amizade da outra, sendo que ela faz de tudo e mais um pouco pela mesma.
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