Dfideliiz
“Acho que o mais assustador nela nunca foram as histórias sobre milagres. Nem as orações em idiomas antigos. Nem a maneira como pessoas a observavam como se carregasse algo divino sob a pele.
Não.
O mais assustador era perceber que ela conseguia tocar partes minhas que eu havia enterrado anos atrás.
Sem violência.
Sem insistência.
Apenas ficando.
Como luz atravessando cortinas pela manhã. E de repente, alguém que passou a vida inteira sobrevivendo começou a desejar coisas pequenas.
Voltar para casa cedo.
Escutar outra respiração durante a madrugada.
Ver luz acesa na cozinha.
Ridículo.
Ela tinha esse efeito nas coisas.”
— A.D.