E se eu desistir, quem há de notar
os livros fechados, o riso que se foi?
Quem guardará as chaves do meu depois,
ou ouvirá o vazio que eu não sei calar?
Se eu cessar a luta — quem vai me buscar
no escuro onde a esperança se destrói?
Quem ficará a limpar a minha voz,
remendo o que o cansaço veio rasgar?
Não vês como tudo pesa e corrói?
O silêncio pesa mais que qualquer cruz.
Mas há uma fagulha pequena — uma luz —
que insiste em ficar quando nada dói.
Segura minha mão, se puderes, então:
basta um fio, um dia — e nasce outra voz.