Sobre a nossa "comunidade" de escritores
ESTOU NO OFÍCIO DA ESCRITA HÁ 25 ANOS E É TRISTE VER COMO UMA COISA NÃO MUDOU: há muito amargor entre escritores. Muita inveja, muita raiva, muito ciúmes. E pior é que, com o anonimato proporcionado pelas redes "sociais", as pessoas se sentem mais livres para serem amargas e intragáveis.
Afinal, é mais fácil ser corajoso no sofá de casa, por trás de um perfil sem rosto e com nome genérico, não é?
O mais bonito da escrita, a meu ver, é o contraditório; é o modo como nosso texto vai chegar no outro. Como sempre digo para o pessoal, "Se há 8 bilhões de pessoas no mundo, são 8 bilhões de formas de ler o teu livro. Aceite".
Agora, ser desrespeitoso, atacar os colegas, fazer piada com o esforço dos outros, isso não. Uma coisa é a crítica negativa, outra muito diferente é o hate e a humilhação. Infelizmente, vivemos em tempos em que as pessoas não são empáticas COM OS OUTROS, mas CONTRA OS OUTROS, sentindo-se superiores por terem alguém para humilhar.
Portanto, por mais difícil que seja, por mais que dê medo de enfrentar certos cenários, ouse continuar. A arte precisa do olhar externo e precisa de coragem para ser desenvolvida. Respire fundo e simplesmente escreva.
Se você teve a coragem de publicar algo, não duvide: você tem sim do que se orgulhar. Orgulhe-se. Pode ainda não ser o teu melhor livro, tudo bem. A escrita é evolução constante. Mas NUNCA aceite que ninguém aponte o dedo para você e diga que "escrever é besteira". NUNCA aceite que ninguém, nem os teus pais, marido ou amigos, tente cuspir no teu esforço. E isso, é claro, vale com 10 vezes mais força para esse ambiente digital.
Você vai mesmo se deixar levar pela opinião escrota de um idiota covarde sem rosto que não teve a competência nem de colocar o rosto para assumir as próprias opiniões? Sério?
Como minha avó me ensinou lá no quilombo, "as pessoas só montam na gente se a gente fica de quatro".
NÃO FIQUE DE QUATRO.