Henggo

Ter DIPLOMA não te faz um ESCRITOR SUPERIOR 
          	
          	A literatura não é concurso público. Não há cargo vitalício nem hierarquia garantida por certificado. Diante da experiência de já ter recebido diplomas de Medicina e Direito de pessoas que tentaram me humilhar, precisamos refletir sobre ego, prática de escrita e competitividade.
          	
          	1. Diploma é ferramenta, não troféu. Serve para nos dar mais conhecimento, porém, não é aval para nos colocarmos acima dos outros.
          	
          	2. Escrita criativa se constrói no texto, não no currículo. Página escrita vale mais que linha no Lattes.
          	
          	3. Há grandes escritores sem formação acadêmica formal e isso nunca os tornou menores.
          	
          	4. Do mesmo modo, há pessoas formadas que nunca terminaram um livro. Título não garante fôlego, nem coragem de ir até o fim.
          	
          	5. Leitura e prática valem mais que certificados. Você pode ter dezenas de diplomas, mas, na escrita criativa, só avança quem lê e escreve com constância.
          	
          	6. Técnica literária se aprende estudando dentro ou fora da universidade. O saber não está condicionado a prédio, banca ou diploma.
          	
          	7. Experiência de vida também forma escritor. Dor, trabalho, fome, amor, exclusão e sobrevivência também ensinam linguagem.
          	
          	8. Vamos falar sobre Carolina Maria de Jesus?
          	
          	Carolina Maria de Jesus escreveu sem diploma, sem universidade, sem aval da elite intelectual. Escreveu a partir da fome, do lixo, da favela. Escreveu literatura brutal e honesta. Mesmo assim, até hoje, há quem torça o nariz. Há quem diga que ela é “importante socialmente”, mas não “literariamente”. Há quem tente empurrá-la para a prateleira do documento, não da arte.
          	
          	Isso diz muito menos sobre Carolina
          	e muito mais sobre quem acha que literatura precisa de carimbo para existir.
          	
          	Se diploma fosse critério de grandeza literária, Carolina jamais teria entrado no cânone. Mas entrou — à força do texto. E é exatamente isso que incomoda.
          	
          	Incomoda porque a literatura só reconhece uma coisa: palavra viva na página. 

Nataruska

@Henggo Sem dúvida. Aqui em Portugal nas últimas décadas o acesso universitário tem sido mais alcançável. No entanto esse pensamento continua a manter-se. Corro até o risco de dizer que se intensificou a má atitude porque há muitos mais com a possibilidade de espezinhar o próximo só porque sim.
          	  
          	  Nunca me esqueço de uma professora de desenho que tive na faculdade, e que eu até considerava, reagir com desdém a uma reportagem sobre um artista escultor que não tinha braços e usava os pés para trabalhar os materiais. Ela chegou inclusivamente a dizer que era um desperdício ocupar uma das 50 vagas que existiam no curso de escultura (Na faculdade de Belas Artes e que não era a a minha faculdade) e que estaria a tirar o lugar a quem tinha todos os membros e por consequência conseguiria executar um trabalho de melhor qualidade artística. Naquele dia deixei de "aprender arte" com ela e limitei-me a apenas aprender as técnicas. Porque alguém que tem esta perspectiva não é artista, é apenas um executante de pá na mão.
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Henggo

@ Nataruska  Pois sim, muitos ainda tomam a escrita como um lugar de diferenciação; um lugar que simboliza uma espécie de "superioridade intelectual". Some isso a uma série de questões de classes sociais e temos um problema.
          	  
          	  Aqui no Brasil, apesar de todas as políticas de inclusão, chegar à universidade ainda é para poucos. Ainda é muitos difícil alguém da periferia ter esse tipo de ascensão social. Consequentemente, pelo fato de as universidades terem passado décadas sendo um espaço da elite, a sociedade continua percebendo o diploma universitário como algo de superioridade em todos os sentidos — inclusive, com muitos achando que ter um diploma é uma desculpa para pisar nas pessoas. E todos esses sentimentos passaram para as artes em geral.
          	  
          	  O fazer artístico é muito difícil de ser mensurado, pois é sentimental, emocional, intuitivo. A pessoa pode passar uma vida estudando Artes Plásticas, por exemplo, e nunca ser capaz de transmitir em uma tela as emoções que um artista de rua consegue.
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Henggo

@emilia_schneider  Os diplomas universitários nos ajudam a ter mais disciplina e compreender que há um método, porém, não necessariamente melhoram a escrita criativa. É uma relação que ainda confunde muito.
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Henggo

Ter DIPLOMA não te faz um ESCRITOR SUPERIOR 
          
          A literatura não é concurso público. Não há cargo vitalício nem hierarquia garantida por certificado. Diante da experiência de já ter recebido diplomas de Medicina e Direito de pessoas que tentaram me humilhar, precisamos refletir sobre ego, prática de escrita e competitividade.
          
          1. Diploma é ferramenta, não troféu. Serve para nos dar mais conhecimento, porém, não é aval para nos colocarmos acima dos outros.
          
          2. Escrita criativa se constrói no texto, não no currículo. Página escrita vale mais que linha no Lattes.
          
          3. Há grandes escritores sem formação acadêmica formal e isso nunca os tornou menores.
          
          4. Do mesmo modo, há pessoas formadas que nunca terminaram um livro. Título não garante fôlego, nem coragem de ir até o fim.
          
          5. Leitura e prática valem mais que certificados. Você pode ter dezenas de diplomas, mas, na escrita criativa, só avança quem lê e escreve com constância.
          
          6. Técnica literária se aprende estudando dentro ou fora da universidade. O saber não está condicionado a prédio, banca ou diploma.
          
          7. Experiência de vida também forma escritor. Dor, trabalho, fome, amor, exclusão e sobrevivência também ensinam linguagem.
          
          8. Vamos falar sobre Carolina Maria de Jesus?
          
          Carolina Maria de Jesus escreveu sem diploma, sem universidade, sem aval da elite intelectual. Escreveu a partir da fome, do lixo, da favela. Escreveu literatura brutal e honesta. Mesmo assim, até hoje, há quem torça o nariz. Há quem diga que ela é “importante socialmente”, mas não “literariamente”. Há quem tente empurrá-la para a prateleira do documento, não da arte.
          
          Isso diz muito menos sobre Carolina
          e muito mais sobre quem acha que literatura precisa de carimbo para existir.
          
          Se diploma fosse critério de grandeza literária, Carolina jamais teria entrado no cânone. Mas entrou — à força do texto. E é exatamente isso que incomoda.
          
          Incomoda porque a literatura só reconhece uma coisa: palavra viva na página. 

Nataruska

@Henggo Sem dúvida. Aqui em Portugal nas últimas décadas o acesso universitário tem sido mais alcançável. No entanto esse pensamento continua a manter-se. Corro até o risco de dizer que se intensificou a má atitude porque há muitos mais com a possibilidade de espezinhar o próximo só porque sim.
            
            Nunca me esqueço de uma professora de desenho que tive na faculdade, e que eu até considerava, reagir com desdém a uma reportagem sobre um artista escultor que não tinha braços e usava os pés para trabalhar os materiais. Ela chegou inclusivamente a dizer que era um desperdício ocupar uma das 50 vagas que existiam no curso de escultura (Na faculdade de Belas Artes e que não era a a minha faculdade) e que estaria a tirar o lugar a quem tinha todos os membros e por consequência conseguiria executar um trabalho de melhor qualidade artística. Naquele dia deixei de "aprender arte" com ela e limitei-me a apenas aprender as técnicas. Porque alguém que tem esta perspectiva não é artista, é apenas um executante de pá na mão.
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Henggo

@ Nataruska  Pois sim, muitos ainda tomam a escrita como um lugar de diferenciação; um lugar que simboliza uma espécie de "superioridade intelectual". Some isso a uma série de questões de classes sociais e temos um problema.
            
            Aqui no Brasil, apesar de todas as políticas de inclusão, chegar à universidade ainda é para poucos. Ainda é muitos difícil alguém da periferia ter esse tipo de ascensão social. Consequentemente, pelo fato de as universidades terem passado décadas sendo um espaço da elite, a sociedade continua percebendo o diploma universitário como algo de superioridade em todos os sentidos — inclusive, com muitos achando que ter um diploma é uma desculpa para pisar nas pessoas. E todos esses sentimentos passaram para as artes em geral.
            
            O fazer artístico é muito difícil de ser mensurado, pois é sentimental, emocional, intuitivo. A pessoa pode passar uma vida estudando Artes Plásticas, por exemplo, e nunca ser capaz de transmitir em uma tela as emoções que um artista de rua consegue.
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Henggo

@emilia_schneider  Os diplomas universitários nos ajudam a ter mais disciplina e compreender que há um método, porém, não necessariamente melhoram a escrita criativa. É uma relação que ainda confunde muito.
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Henggo

7 EXERCÍCIOS para APRENDER A CORTAR 
          
          Tema sugerido por @safiraaldihs
          
          1. Poda de parágrafo: Escolha um parágrafo muito explicativo do teu texto. Corte algumas frases sem reescrever nada. Se o sentido geral se mantém, o corte era necessário.
          
          2. Emoção sem nome: Pegue uma cena em que você escreveu adjetivos como "triste", "feliz", "ansioso", "cansado", etc. Apague todas essas palavras. Reescreva a cena usando apenas ações, gestos e diálogos. Se a emoção ainda for clara, você venceu o jogo.
          
          3. A regra do eco: Leia o texto em voz alta.
          Sempre que perceber que uma frase repete a ideia da anterior, corte a frase que soa mais fraca.
          
          4. Corte cego: Deixe o texto descansar alguns dias — eu prefiro semanas, até meses, mas dependende da realidade de cada um. Depois desse tempo, volte e faça uma leitura apenas para cortar, sem reescrever nada. O que sobrevive a esse "massacre" costuma ser o coração da cena.
          
          5. Leitor beta com missão clara: Não peça “opinião geral”. Peça algo específico como: “Marca onde sentiste que o texto te explicou demais” ou "Indica que parte deu vontade de pular". Isso vale ouro.
          
          6. Reescrita radical: Escolha uma cena e tente reescrevê-la usando metade do tamanho original. Por exemplo, se a cena tem 500 palavras, desafie-se a escrever apenas 250. Não, não é para publicar essa versão — é para você entender o que é essencial naquele contexto.
          
          7. O teste da perda: Corte um parágrafo explicativo inteiro e não volte a ele por uma semana. Se você não sentir falta, ele nunca foi necessário.
          
          DICA EXTRA: Aposte em Apps que façam a leitura em voz alta do texto, como a que tem no Word. Escutar o texto é um exercício que ajuda a perceber esses exageros.

Nataruska

@Henggo Muito boas ideias que vou guardar no meu pequeno bolso. Assim ficam sempre à mão ☺️
            Sou relativamente displicente no apego à escrita. Provavelmente por defeito profissional. Se tiver de cortar, corto sem grande dificuldade. Mas obviamente que já tive um ou outro momento mais complexo. Quando ocasionalmente acontece, dou a volta ao texto e crio espaço para que encaixe. Se realmente for incoerente então corta-se. Mas entendo a enorme dificuldade que isso possa ser para muitos autores ❤️
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Henggo

@safiraaldihs  Valeu pela sugestão de tema. Essa dica 7 (cortar parágrafos) é difícil mesmo, mas é transformadora. Escreva o primeiro rascunho, deixe o texto descansar, vai escrever outra coisa, preparar outro texto e, quando voltar, faça uma leitura rápida e esses cortes. Depois, aí sim, reescreva com mais cuidado. O importante é trabalhar o desapego — que é a parte mais difícil hahahahaha. Porém, creio que, quando começar a perceber como o texto fica mais dinâmico, mais fluído sem tantas explicações (ou com explicações mais diluídas), tua percepção narrativa vai mudar. Tenha paciência. ;)
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Henggo

@Nataruska  Uma forma que uso para superar essa sensação sem recorrer a um bloco de narração explicativa é criar um personagem que seja a representação desse leitor cheio de dúvidas. Esse personagem — que pode ser o personagem central — será "os olhos" do público dentro da história para que, personagem e leitores, façam essas descobertas juntos. Sim, demora mais, exige mais palavras, mais paciência, formas diferentes de trazer essas informações sem ser pela dinâmica perguntas-respostas, mas fica mais intuitivo para o público entender o que queremos transmitir.
            
            Outro jeito (um pouco mais complicado, a meu ver) é um exercício imaginativo de se colocar no papel de um leitor desatento e perceber como essas informações chegam. Eu uso muito quando edito meus vídeos para o YouTube e o TikTok. Há vídeos que na versão bruta têm 15 minutos e depois da edição ficam com 9 minutos. É necessário fazer a pergunta "Qual é o ponto central deste assunto?" Em um livro, por exemplo, para preservar o ritmo de leitura, é preferível apresentar apenas o cerne do assunto (que já explica 75% da questão) e deixar algumas lacunas do que tentar explicar 100% e moldar um texto repetitivo.
            
            E aí tem também uma questão psicológica, de ego. Por vezes, percebo, queremos explicar algo minuciosamente mais para mostrar que sabemos do que por necessidade de informar. Portanto, acredito que precisamos de certa frieza para controlar essas manias e encontrar um ponto de equilíbrio. 
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Henggo

EXCESSO DE EXPLICAÇÃO empobrece a história
          
          Tema sugerido por @safiraaldihs
          
          Texto que explica tudo dá a sensação de que desconfia da capacidade de quem lê. Aprender a cortar é um gesto de confiança: confiar que a cena já deu conta, que o gesto falou, que o diálogo sustentou o peso, que o público não é bobo...
          
          Texto forte sugere, não justifica cada passo.
          
          1. Confie nos leitores. GARANTO que eles entendem mais do que você imagina. E, muitas vezes, entendem melhor quando precisam raciocinar para compreender a narrativa.
          
          2. Corte explicações que repetem o que a cena já mostrou. Se a ação já comunicou algo, a explicação apenas enfraquece. Cuidado.
          
          3. Troque explicações por ação ou diálogo.
          Um gesto bem colocado ou uma fala curta carregam mais verdade que um gigantesco parágrafo explicativo.
          
          3. Evite explicar emoções logo após mostrá-las.
          Se você diz que o personagem está triste, não fique explicando essa tristeza. Mostrou? Então confia.
          
          4. Use o subtexto como aliado. O que não é dito costuma ser o que mais pesa. Entrelinhas e silêncios são essenciais.
          
          5. Leia o parágrafo e se pergunte: isso é indispensável para a obra ou posso cortar sem prejudicar o entendimento?
          
          6. Explique menos nos momentos mais emocionais. Emoção precisa de espaço para respirar e ser consolidada.
          
          7. Excesso de explicação sufoca, quebra ritmo e tensão. Suspense, dor e desejo vivem do não-dito.
          
          8. Aceite que nem tudo precisa ficar claro de imediato. O leitor também caminha, erra, volta, entende depois. Tá tudo certo, eu garanto.
          
          9. Texto confiante deixa lacunas sem pedir desculpa. Como eu sempre digo: você não é babá dos teus leitores.
          
          10. Aceite o desconforto. Cortar dói porque parece que estamos perdendo controle. Na verdade, estamos devolvendo autonomia ao leitor — e ele apreciará isso.
          
          Na próxima dica, complementar a esta, apresento 7 exercícios que ajudam a entender (e internalizar) a necessidade de cortes.

safiraaldihs

@ Henggo  Ótimo, Henggo. Muitíssimo obrigada. Seus textos sempre me ajudam e MUITO! 
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Henggo

@Nataruska  ❤️❤️❤️
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Nataruska

@Henggo Disseste tudo, sem excesso de explicação ;p
            Excelente como sempre :)
            Tinha visto a sugestão e fiquei muito curiosa para ler a respeito :)))
            Obrigada <3
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Henggo

ERROS DE CONTINUIDADE não surgem do acaso
          
          Erros de continuidade quase nunca são “distração”. Em geral, eles nascem da falta de controle do todo. Quando a história é escrita como uma soma de cenas soltas, o texto começa a se contradizer — e o público percebe. Lembre-se: não é sobre explicar tudo, mas sim lembrar de tudo o que está exposto. Alguns cuidados ajudam muito nesse processo:
          
          1. Construa uma linha do tempo clara, mesmo que o livro não seja cronológico. Saber o que acontece antes, durante e depois evita tropeços.
          
          2. Mantenha fichas de personagens, ainda que simples: idade, histórico, traços físicos, manias, relações.
          
          3. Registre mudanças importantes ao longo da história: ferimentos, perdas, objetos simbólicos, decisões que alteram comportamento. O personagem não pode “esquecer” o que o texto já fez ele viver!
          
          4. Use um documento de controle para detalhes recorrentes: nomes, datas, lugares, regras do mundo, padrões de fala. Isso poupa retrabalho e confusão.
          
          5. Se você ainda não tem prática, revise por camadas, não tudo de uma vez:
          – primeiro o tempo,
          – depois os personagens,
          – por fim, a lógica interna dos acontecimentos.
          
          6. Tenha cuidado com capítulos escritos fora de ordem. Eles são úteis, mas perigosos. Sem controle, criam paradoxos pequenos — e pequenos paradoxos minam a confiança do leitor.
          
          7. Reler o livro inteiro depois de um tempo afastado é uma das formas mais eficazes de detectar inconsistências. O distanciamento devolve o olhar de leitor.
          
          8. Peça leitura beta com foco específico em continuidade. Escolha esse beta com cuidado, pois nem todo leitor é capaz de notar miudezas.
          
          9. Evite improvisar em detalhes que já foram definidos. Improviso é ótimo para emoção e cena; péssimo para regras já estabelecidas.
          
          10. Consistência sustenta a verossimilhança.
          O leitor aceita quase tudo — desde que o texto não se contradiga, né?

Henggo

@safiraaldihs  Obrigado pela sugestão de tema. Farei a dica e vou te marcar. Espero que seja uma luz. ;)
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safiraaldihs

Boas dicas, Henggo. Depois pode escrever algumas dicas para pessoas que acabam explicando demais? Sei que explico muito, mas não faço ideia de como parar 
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Elyse_Vane

@ Henggo  ❤️
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Henggo

E se você nunca conseguir VIVER DA ESCRITA?
          
          Nesses tempos em que, literalmente, qualquer bobagem viraliza, sem esmero, sem respeito, sem responsabilidade, a performance do "ser escritor", "mostrar-se diferenciado", "vender-se", tem me estafado e alimentado uma pergunta cada vez mais recorrente:
          
          "Vale a pena todo esse gasto de energia tentando essa performance?"
          
          Perceba: não falo sobre escrever. A escrita está entranhada em nós, sejamos profissionais ou não. A escrita não morre, saiba disso.
          
          Eu falo sobre as redes sociais que moldaram essa falsa noção de pertencimento; essa armadilha que é "transformar os próprios hobbies em conteúdo". Em 2025, eu abandonei várias redes sociais — Substack, Reddit, Medium, Skoob — porque notei que eu estava/estou cansado de performar utilidade.
          
          Chato é porque a vida de escrita independente pressupõe que você "apareça" e "se venda", "dê teu nome", "apresente-se"... Mas a que custo? E é aqui que este desabafo (juro que eu não planejei isso kkkkkk) chega ao ponto central: a liberdade de respirar fundo e manter o que de fato importa.
          
          Sabe a história de "perder a batalha para ganhar a guerra"? É sobre isso. 
          
          Eu estou tentando fazer a escrita ganhar. Ela talvez não me faça pagar as contas, porém, ela me faz dormir melhor.
          
          Priorize o que te eleva.
          
          1. Separar sonho e ilusão protege sua saúde mental.
          
          2. Ter outro sustento não te faz menos escritor.
          
          3. Mérito literário não depende de renda.
          
          4. Muitos grandes autores também tinham outros empregos.
          
          5. Viva a escrita como vocação, não só profissão.
          
          6. Continue se dedicando — sem se cobrar retorno imediato.
          
          7. Valorize cada leitor, mesmo sem milhares.
          
          8. Reconheça conquistas pequenas: elas contam.
          
          9. Fama não é sinônimo de valor artístico.
          
          10. A escrita não precisa te bancar pra te salvar.

Henggo

@ anactsotti  Obrigado por refletir junto. ;)
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anactsotti

@ Henggo  reflexão necessária e texto lindo!
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Henggo

ATUALIZAÇÕES LITERÁRIAS
          
          Junte um sebo no centro histórico de São Luís + muitas citações literárias + conversas sobre se entender no mundo + chegada de um novo amigo + contexto LGBTQIA+ = novo livro.
          
          O primeiro rascunho desta obra estava guardado no arquivo de reescrita desde 2022. Agora, em 2026, chegou a hora de trazê-la ao mundo. Coincidentemente (ou não), "Uma vida com Rauã" será meu 50⁰ livro publicado.
          
          A reescrita está sendo maravilhosa e emocionante. É diferenciado pegar algo escrita há 4 anos e testemunhar o quanto amadureci. Recomendo a experiência.
          
          Não precisa correr para reescrever. Calma. Termine o primeiro rascunho e deixe o texto descansar. (⁠◠⁠‿⁠◕⁠)
          
          Enquanto isso, no período da tarde, estou imerso na escrita de "Gethnar" (título provisório), novo livro para o Wattpad.
          
          Sim, obrigado por perguntar, estou de "férias". (⁠✿⁠^⁠‿⁠^⁠)

Henggo

@tyleryun  Sim, o livro de passa depois do conto "Gethnar & Sorren" e focará no retorno dos dois para casa e na confirmação de um problema que foi citado no conto — o pai de Gethnar. 
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tyleryun

@Henggo  ""férias"" kkkkk
            As férias mais bem aproveitadas, hehehe
            
            Gostei dessa premissa ( 0.0)!
            Quem será Rauã e essa pessoa que compartilha sua vida? Qual o gênero do livro, a faixa etária? Curioso por saber mais! E parabéns pelo 50º livro!!! Maaano, É MUITO LIVRO! Kkkkk Que máximo!
            
            Então este próximo livro para cá é mais focado na vida de Gethnar, não é?
            
            Já vamos preparando a mente e os olhos para ler novos livros! ⭐️
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Henggo

Vamos participar de CONCURSOS LITERÁRIOS?
          
          Costumo incentivar a participação em concursos literários — não como promessa de glória, mas como prática de ofício. Concursos estimulam a escrita, impõem limites narrativos, oferecem desafios concretos e, em alguns casos, aproximam escritores entre si. Com o tempo, também ajudam a entender como o mercado funciona — inclusive suas armadilhas.
          
          Organizar essa participação no começo do ano pode ser um gesto simples e inteligente, desde que feito com lucidez. Eis alguns pontos que sempre observo antes de me inscrever:
          
          1) Leia o regulamento com atenção. Não é burocracia: é parte do exercício. Muitos textos bons são eliminados por puro descuido.
          
          2) Observe o histórico e a credibilidade do concurso. Quem organiza? Há edições anteriores? Os resultados são públicos? Transparência também é critério literário.
          
          3) Avalie se o gênero e o perfil combinam com tua escrita. Não é sobre se moldar ao concurso, mas escolher batalhas que fazem sentido. Há oportunidades para todos os gêneros ao longo do ano.
          
          4) Fique atento às contrapartidas e aos direitos autorais, especialmente em antologias. Visibilidade não paga tudo — e às vezes cobra caro demais. 
          
          5) Evite se inscrever por impulso ou FOMO. O "medo de ficar de fora" costuma gerar textos apressados e escolhas ruins.
          
          6) Não participe esperando ganhar, pois isso cria uma pressão desnecessária e uma frustração que não ajuda em nada. Concurso pode ser exercício, vitrine ou experiência — não prova de valor pessoal.
          
          7) Escolha poucos e bons. Excesso desgasta, dispersa e rouba energia da escrita que realmente importa — aquela que não depende de edital.
          
          8) Use bons compiladores de concursos. Eles poupam tempo e ajudam a manter critério. Dois que costumo acompanhar:
          >>> concursos-literarios.blogspot.com
          >>> selecoesliterarias.com.br
          

Henggo

LIDO & INDICADO: A poesia nos cala em lugares que nem pensávamos que careciam desse silêncio. Nesta antologia, Kevin mais uma vez demonstra a sensibilidade de uma pessoa que olha o entorno e percebe a vida para além do véu do espetáculo. É um sorriso forçado para não berrar, um olhar marejado diante da loucura do mundo que ninguém quer nomear, um grito contra o travesseiro para não despertar quem está dormindo ao lado. "Poemas Silenciosos" é a complexidade do ser humano em versos de angústia que se unem para uma estrofe de esperança — mesmo que pareça uma métrica dissonante do normal. Mas o que é "normal" em um mundo que banaliza a violência e apedreja quem enaltece o silêncio? 
          https://www.wattpad.com/story/290166047

Henggo

@ 0410kevin  ❤️❤️
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0410kevin

@ Henggo  Muito obrigado pelas palavras ❤️ 
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Henggo

Como fazer LIVROS EM CONJUNTO? 
          
          Início de 2026, expectativas, sonhos, vontade de tirar ideias do papel... Que tal chamar alguém para escrever um livro juntos? Escrever um livro em conjunto parece mais fácil: duas cabeças pensam melhor do que uma. Pensam mesmo. O problema é que também discordam. Para que isso funcione, muita conversa deve ser feita e acordos devem ficar claros. Faça isso antes. Depois, já é tarde. 
          
          1. Definam objetivos claros: gênero, público, tom, extensão... 
          
          2. Combinem  um cronograma: quem escreve o quê e quando. 
          
          3. Estabeleçam a divisão de tarefas e a dinâmica de escrita. Quem escreve o quê? Um pode interferir no texto do outro? Escrevem juntos ou alternam capítulos? 
          
          4. Criem um documento guia (estilo, vocabulário, personagens) e alimentem esse guia com cada nova ideia discutida. Este documento evita retrabalho e conflitos futuros. 
          
          5. Comuniquem tudo por escrito para evitar mal-entendidos. 
          
          6. Abram espaço para feedback mútuo sem levar para o lado pessoal. Se vocês estão juntos, precisam aprender a ceder em alguns pontos. 
          
          7. Decidam juntos quem terá a palavra final em divergências. Já vi de tudo: desde escritores que têm uma espécie de "mentor do conjunto" (eu já fiz esse papel) até outros que fazem sorteio para ver qual decisão sairá. 
          
          8. Respeitem o estilo do outro — adaptação é parte do processo. Se você não consegue ouvir o outro, não escreva em conjunto. 
          
          9. Separar amizade de trabalho ajuda a evitar ressentimentos. Maturidade é fundamental. 
          
          10. Celebrar juntos cada etapa concluída fortalece a parceria. Por exemplo, a cada novo capítulo marquem alguma coisa, gravem um vídeo juntos, enfim, façam algo que simbolize o avanço do projeto.

tyleryun

@Henggo Nossa! Como eu precisava de um post sobre isso! Grato, Henggo! =D
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Henggo

AUTOBOICOTE não é espetáculo 
          
          Neste ano de 2025, em que fiquei mais ativo na produção de vídeos no TikTok e no YouTube, eu identifiquei um problema: a quantidade de perfis que cresceram com base no que chamo de "coitadismo", o velho hábito de usar a pena para angariar seguidores. E é claro que dentro do ambiente literário, em que há uma fetichização da falsa imagem de sofrimento que desemboca na inspiração, o autoboicote se torna um ativo para esses perfis. Tenha atenção. 
          
          1. Autoboicote não é modinha, é questão psicológica séria. Causa sofrimento, bloqueios e angústia constante. 
          
          2. Perfis que romantizam o problema criam bolhas de validação vazia que fetichizam essa questão e impedem um debate sério. 
          
          3. Cuidado com influenciadores que vendem desculpas como identidade. Se a pessoa não propõe soluções ou reflexões, esse perfil está te usando como ombro de desabafo. 
          
          4. Falta de estudo e disciplina não é autoboicote — é resistência ao trabalho e ojeriza à técnica narrativa. Não caia nesse viés de confirmação. 
          
          5. Rotina e técnica são antídotos contra a performance do fracasso. Quando desenvolvemos isso, tudo melhora. 
          
          6. A internet adora viés de confirmação — fuja do “grupo que pensa igual”. Se você está se cercando de pessoas que alimentam teus problemas e não tentam ajudar, há algo errado. 
          
          7. Não terceirize responsabilidade para uma palavra da moda. 
          
          8. Se suspeitar de autoboicote real, por favor, procure ajuda séria, não conteúdo raso. 
          
          9. Escrita exige maturidade emocional, não plateia para lamentações.

Henggo

@Escritora_Mai  É decepcionante, né? A impressão é que tudo ao redor incentiva esse tipo de conteúdo, por mais prejudicial que ele seja. 
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Escritora_Mai

@ Henggo  O mais preocupante e sinceramente inacreditável é como esse tipo de conteúdo gera engajamento e circula livremente, enquanto perfis que realmente agregam são derrubados. Já vi e denunciei contas com esse material e, para minha surpresa, todos continuam ativos, como se não houvesse nada de errado.
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