Acredito no amor, porque ainda sinto.
E sinto não só nas lembranças,
mas no silêncio que ficou depois de você.
A memória não dói tanto quanto deveria,
talvez porque houve ali um pingo de esperança,
maior do que em todas as outras vezes
em que o fim parecia apenas fim.
Ainda me pego pensando nas tuas palavras,
nos ecos que elas deixaram dentro de mim.
Teu rosto continua vívido demais,
o tipo de imagem que não desbota,
mesmo quando o coração tenta.
O céu ainda reflete teus olhos,
e quando não olho pra cima,
vejo o mesmo brilho no quadro
que eu mesma pintei - talvez por descuido,
talvez por saudade.
Meu coração não bate descompassado,
ele não faz alarmes,
mas posso sentir meus ossos estalando,
como se meu corpo inteiro
ainda esperasse uma reação sua,
um gesto, um retorno,
qualquer sinal que justificasse
a forma como tramei esperanças.
Talvez pudesse ter sido mais extenso,
mesmo sabendo que o fim era óbvio,
mesmo percebendo que o horizonte
não era tão limpo quanto eu sonhei.
Jurei ter visto luz,
jurei ter falado a verdade,
jurei ter sido inteira.
Mas a vida prega peças.
E apesar de tudo,
apesar de você ser tão inalcançável,
foi a única vez em que estive
tão perto de um final feliz.
Porque no meio das feridas inflamadas,
causadas por um punhal envenenado -
não sei se pelo destino ou por descuido -
você me ensinou algo que ninguém tinha ensinado:
que mesmo com meus defeitos,
mesmo tropeçando,
mesmo temendo,
eu sou capaz de amar.
De ainda amar.
  • JoinedDecember 3, 2023



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