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Nos aposentos do Lorde Comandante Anceloti, a luz fraca das tochas dançava sobre os mapas de guerra. Sir Vinícius aguardava suas ordens, o peso da cota de malha parecendo ainda mais denso quando o veterano quebrou o silêncio.
— Quero que você seja a sombra do novato. Fique de olho no garoto Neymar — determinou o Comandante, com a voz calejada de quem já liderou mil soldados em guerra.
Vinícius ergueu uma sobrancelha, apoiando o queixo na braçadeira de couro.
— Por qual motivo, posso saber meu senhor?
— Ele é sangue novo na Guarda Real. E por isso pode ser impulsivo. Você é nosso melhor cavaleiro, conhece o peso de portar o brasão da Coroa. Preciso que o guie antes que ele cause algum problema.
A tenda mergulhou um completo silêncio. Vinícius ponderou. Sabia da fama do jovem lorde: um duelista letal, mas com um ego difícil de domar.
— Que assim seja, meu senhor— cedeu Vini, por fim.
— Ordene que montem nossos catres no mesmo pavilhão. Se é para vigiá-lo, que ele durma sob os seus olhos.
— Excelente. Agradeço por carregar esse fardo, Sir Vinícius.
No Pátio de Armas
No dia seguinte, a poeira subiu no pátio do castelo durante o treinamento. Anceloti colocou a Vanguarda Real — Vini, Neymar, Paquetá e o jovem escudeiro Endrick — contra a infantaria. A aliança entre Vinícius e Neymar foi algo digno de contos de guerra. Não precisavam se falar; lutavam como se dividissem a mesma alma em combate. Era um desvio de Vini, uma estocada letal de Neymar... Aço contra aço... VITÓRIA APÓS VITÓRIA. Um espetáculo brutal e perfeito.
Quando os tambores de treino cessaram, os guerreiros recolheram-se para limpar o sangue e o suor das armaduras. Todos, exceto o novato. Cumprindo seu juramento, Vinícius foi até Neymar na tenda dos curandeiros.
Encontrou o garoto sentado em uma das camas, o rosto pálido e os dentes trincados de dor. Uma clava de treinamento havia atingido sua coxa esquerda brutalmente.