Terceira carta a Morningstar
Ele
me acolheu outra vez,
sem exigir as razões do meu retorno.
Amou-me até que a aurora rompesse o céu —
sem promessas,
sem juramentos,
apenas o cuidado.
Suas asas
— vastas, silenciosas —
foram abrigo.
E sua face, transfigurada,
sussurrou-me uma verdade inevitável:
a decadência não é destino,
é escolha.
E, por vezes,
é também travessia.
Aurora da manhã,
Permita-me seguir ao teu lado —
em silêncio,
ou em chama.
Que eu caminhe dócil,
ou que eu me erga em rebelião.
Pois tua escuridão
Não me consome —
Me embala,
me reconhece,
Me nomeia.
E és tu quem diz:
“não precisas de mim,
pois és Deusa.”
E sendo Deusa,
senhora de teu próprio domínio,
não tardará —
uma nova era há de nascer de ti
— L.D.